Furto por arrombamento e consumo de Bloom

Ou furto qualificado, é punido com pena de prisão de dois a oito anos. Este crime tem sido extremamente cometido neste período de recolher obrigatório. Tem sido cometido principalmente por pessoas sem abrigo e toxicodependentes, nomeadamente da substância Bloom.

O grande flagelo é o Bloom, mas o tratamento é altamente condicionado porque não tem antagonista, ao contrário das drogas tradicionais não há substituto como metadona por exemplo, o tratamento é sobretudo psiquiátrico. Na Madeira não temos grande capacidade para o tratamento destas drogas sintéticas. Estes indivíduos têm ido presos, e depois na prisão estão privados da substância, mas não sei se têm acompanhamento psiquiátrico, uma vez que não existe nenhuma ala psiquiátrica, nem na cadeia, nem no hospital por exemplo. Posso estar errado, mas é esta a informação que tenho.

Quanto à criminalização do Bloom, o tráfico de Bloom não constitui crime, mas apenas contraordenação sujeito a coima. A defesa em Tribunal, dos actuais traficantes é sempre de que estavam a vender Bloom, e porquê, porque as drogas proibidas têm de estar listadas na lei da droga e as drogas sintéticas, como o Bloom, estão sempre a mudar de composição, sendo impossível para o legislador acompanhar as transformações. É um problema sem solução à vista, é impossível criminalizar neste momento.

A solução não pode ser apenas mais policiamento nas ruas, mas sim prevenção da criminalidade, é preciso apoiar estas pessoas, quer a nível psiquiátrico, como a nível de comida e dormidas. O problema do Bloom é que é uma droga barata e de fácil acesso. Já tenho visto iniciativas na ALRAM, sobre este assunto, oxalá que sejam realistas e vão à avante, para combater este flagelo. Só com políticas direccionadas para o tratamento e prevenção se poderá sair deste martírio.

É preciso ouvir os especialistas na matéria, porque não vão ser os Tribunais e as cadeias a solucionar o assunto.

Estes crimes de furto têm crescido ultimamente na base do consumo de Bloom e na situação de haver gente sem rendimentos.

O que eu queria era ver uma política concertada, que não culpasse a falta de policiamento e os tribunais, por um problema de base que resiste na prevenção.

É fácil ser populista e pôr mais polícia na rua, mas não resolve o problema, ele está sempre lá, apanha-se uns e muitos outros andam na rua.

É preciso tentar criminalizar, o tráfico desta substância, seja como for e fazer acompanhamento a estes doentes, a solução passa por aqui. Isto antes da escalada galopante que por aí vem.