Quem semeia ventos, colhe tempestades

As eleições presidenciais do mês passado, ficaram bastante marcadas pelo debate esquerda/direita, com o centrão a levar claramente a melhor. Mais do que a esperada vitória de Marcelo à primeira, com uma vantagem muito confortável, a subida da extrema direita, fascista, xenófoba é que foi o momento da noite. Uma subida que vinha a desenhar-se desde que Ventura começou a ganhar folgo, num discurso populista, ziguezagueante, onde apenas afirmava o que os descontentes queriam ouvir, sem qualquer responsabilidade ou sentido de estado. Um momento difícil para a nossa democracia, que assim é posta em causa, nos seus princípios, e que deve levar toda a classe política a refletir sobre o futuro.

O panorama político português vive uma nova era, com a direita a se desmembrar em diversos partidos. Algo que era comum à esquerda, mas que agora ganha força à direita.

Até há bem pouco tempo, tínhamos apenas PSD e CDS na direita (e mais alguns micropartidos que nunca passaram disso), enquanto do outro lado, o PS tem à sua esquerda o PCP, o PEV e BE e aqui na Madeira o também o PTP, com o seu recente percurso.

Assim, o PSD habituado a ter apenas um parceiro para chegar à governação, num futuro muito próximo (como nos Açores) terá de se entender a várias vozes, nomeadamente com o tal Chega xenófobo, racista, fascista.

Por cá, ficou claro, desde a primeira hora, que um dos principais apoiantes dessa perigosa solução é precisamente Miguel Albuquerque. Foram vários os sinais dessa aproximação. Veremos se iniciam essa caminhada juntos já nas autárquicas deste ano. O caminho é perigoso e nunca nos esqueçamos que quem semeia ventos, colhe tempestades.

E por falar em autárquicas, esta semana assistimos, em alguns meios de comunicação social, ao arranque da campanha autárquica de Pedro Calado. Várias peças jornalísticas recheadas de mentiras, ou na melhor das hipóteses de imprecisões muito grosseiras, levam o leitor mais distraído a acreditar que há ali uma verdade suprema. Sejamos sérios, honestos, os golpes baixos servem apenas a quem os lança, o eleitor/leitor merece mais respeito, merece ser tratado com seriedade, não merece ser tratado como estúpido. Mas, voltando à campanha do Vice-Presidente, Calado aparece em tudo, anuncia estradas do seu colega Fino, apoios sociais da colega Aguiar, desmembra-se em iniciativas, tentando aparecer em todo o lado, claro está, sempre na qualidade de Vice-Presidente do Governo Regional, pois assim os holofotes são sempre maiores.

Em 2017, Rubina Leal optou por uma campanha da maledicência, campanha baixa, com pouco ou nada de positivo. Os resultados foram os que foram, uma derrota ainda mais pesada de um PSD que há muito perdeu o rumo autárquico. Pedro Calado mostra querer seguir o mesmo caminho, aliás, o único que conhece, pois de positivo, dali, nunca veio nada.

Continuamos também a assistir a um Governo Regional ao serviço do PSD, com a promoção dos seus candidatos aos diversos concelhos, como foi o caso de levar o deputado Brício a uma visita a Santa Cruz, esquecendo-se de outros também naturais desse concelho, ou ainda quando a politiquice Covid atingiu o seu ponto mais baixo com a deputada Cláudia, que neste momento não exerce enfermagem, a não se coibir de dar um pulinho a Santana para vacinar os mais idosos e assim aproveitar para lançar já a sua candidatura a essa Câmara.

Entretanto os avatares do regime regressam em força.