O verdadeiro amor às ARTES

Muito se disse e se escreveu sobre a importância das artes na formação das crianças e jovens. Eu prefiro afirmar: “na formação integral da pessoa humana”. São teses e artigos científicos que provam essa grande mais-valia, mas nem todos associam esta mesma importância ao equilíbrio mental e psicológico de bem-estar que as artes proporcionam. A importância do estudo das Artes vai muito parta além de uma carreira artística. Naturalmente que, de entre os milhares de crianças e jovens que têm acesso privilegiado às práticas artísticas, alguns, porque têm o talento necessário e uma vontade e dedicação colossal, podem e devem seguir as artes como vocação profissional. Os restantes, que são a maioria, ficarão com uma preparação ímpar, para a vida, independentemente da profissão que vierem a seguir. Aqui quero deixar, apenas, dois casos que conheço bem, como exemplo: A Carina Freitas (médica) e o Pedro Macedo Camacho (engenheiro). Ambos estudaram música no Conservatório, para além de outras experiências nas artes, neste particular na música. A Carina Freitas é Médica e actualmente está a frequentar o doutoramento em Ciências Médicas no Programa Colaborativo em Neurociências, no Institute of Medical Science (IMS) na Universidade de Toronto, Canadá. Um projeto original e inovador supervisionado por uma equipa interdisciplinar de neurocientistas reconhecidos internacionalmente, e utilizando tecnologia avançada e métodos sofisticados. A sua investigação está relacionada com a Neuroimagem sobre a familiaridade e o gosto musical nas crianças com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). O objectivo é estudar a sincronia e conectividade cerebral nas redes neuronais dos sistemas de recompensa e prazer associados à familiaridade e ao gosto musical nas crianças autistas. O Pedro Macedo Camacho é Engenheiro Civil, mas mantém uma atividade de elevada qualidade como compositor. Iniciou-se com a criação de música para vídeo jogos, mas hoje, para além de manter essa actividade, compõe obras eruditas que já foram interpretadas por várias orquestras Portuguesas. Recentemente estreou, na Madeira, depois da estreia nacional, o Requiem Inês de Castro com alunos do Conservatório e da DSEAM e ainda o Coro de Câmara da Madeira, num total de 250 músicos e cantores. Aqui temos dois casos de sucesso de antigos alunos de música que, seguindo outra profissão mantêm a música nas suas práticas profissionais ou semiprofissionais, mas muitos outros casos existem espalhados pela Madeira e no exterior. No entanto, há que relevar um facto muito importante para que estes jovens/adultos, com outras profissões se mantenham ligados às artes. Sem dúvida, a forma como receberem a sua formação artística. Se a mesma foi ministrada com amor e paixão pelos docentes que, de certa forma, conseguiram transmitir o “vírus” das artes nos seus alunos. Depois temos aqueles que, não mantendo uma prática ativa das artes, são acérrimos defensores das mesmas, constituindo público ativo e esclarecido nos eventos culturais. Faço votos para que as crianças e jovens que hoje desenvolvem práticas artísticas possam desenvolver o verdadeiro amor às ARTES, e que lhes fique para a vida.