A importância das artes na pandemia

A pandemia veio expor a fragilidade e a impotência humana, abalando a nossa realidade e certezas. A imprevisibilidade em relação ao futuro força-nos a refletir sobre a vida e o seu propósito. Neste turbilhão de emoções, a busca de estratégias eficazes para lidar com esta “nova normalidade” é uma prioridade. Nesse sentido, as artes têm um papel importante na promoção da saúde mental pois ajudam-nos a elaborar os significados e a transformar a realidade.

Durante o período de confinamento, a necessidade de consumir arte (de forma remota) estreitou os laços entre as artes e o desenvolvimento de recursos tecnológicos. A música e o cinema, que já tinham presença e distribuição online, intensificaram a sua transformação digital: uma explosão de lives musicais e streaming, assistidas no conforto do lar. Foram divulgadas imensas recomendações artísticas (visualização de espectáculos de orquestras, filmes, séries de TV), a partir de diferentes plataformas digitais, com o objetivo maior de ajudar a distrair da realidade externa. Em relação à música, os estudos mostraram que os usuários da Spotify e Deezer (plataformas de música digital) alteraram os seus hábitos musicais e estavam mais interessados em composições mais relaxantes, como sons da natureza. Em relação às séries de TV, quando bem escolhidas (tendo por critério os conteúdos), estas propagam mensagens de serenidade e esperança. Por outro lado, as artes visuais e os museus reinventaram-se, colocando os seus acervos digitalizados à disposição para visitas virtuais, para satisfação de milhões de pessoas.

Assim, as artes têm tido um papel protetor do bem-estar individual e coletivo. As artes aproximam as pessoas, conecta-as. Os indivíduos expressam-se através das músicas e dos vídeos que partilham nas redes sociais. Criam clubes de leitura virtuais e entoam cânticos espontâneos de apoio mútuo à janela. Estas manifestações artísticas genuínas facilitam uma maior coesão social, uma vontade de união e superação. Há, pois, necessidade de recorrer às artes para regulação emocional, como forma de manter a lucidez e a esperança, em tempos de crise.

Em conclusão, as artes são fundamentais à vida e ao espírito humano. São ferramentas de inspiração, distração, conhecimento e mudança. Estão em todo o lado e basta estarmos atentos para reconhecê-las. É o quadro na parede, a fotografia que adoramos, a canção que ouvimos na rádio, a série de TV que nos entretêm. Como dizia Bertolt Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão, “Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver”.