Nas mãos da Europa

Por estes dias, só as notícias sobre os avanços das vacinas conseguem transmitir algum alento. Prestes a completarmos um ano ‘embrulhados’ na pandemia covid-19, sabemos hoje apenas um pouco mais sobre esse fenómeno. Nada que sirva para resolver a crise e repor a normalidade.

Sabemos aqui o que parecem saber nos Estados Unidos, na Austrália ou na África do Sul. Ou seja, quase nada. Alimentamos a esperança que a distribuição das vacinas concebidas em tempo recorde comece a impor respeito ao vírus, assustando-o, já que ainda não se consegue derrotá-lo. Até lá, há que preparar a retoma, a ressaca, o regresso.

E é para a fase seguinte, no pós-covid, que podemos e devemos concentrar atenções, até como forma de quebrar as visões compreensivelmente negativas e pessimistas. Nesse particular, é justo olhar e avaliar o bom trabalho que está a ser feito pelas instituições da União Europeia, a única boia de salvação que nos resta, sobretudo agora que olhamos para a frente e não vemos nada.

Ele é o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ele é o Quadro Financeiro Plurianual até 2027, ele é também a reprogramação das verbas do Quadro Financeiro 2020 (REACT-UE). Pode não parecer, mas mais do que nunca, estamos nas mãos da Europa. Não só pelos milhões de euros destes programas e planos supra-nacionais, mas também pela vigilância e pelo zelo aos nossos interesses em matérias vitais em torno da pandemia: a regulação da aquisição e distribuição de vacinas, as formas de controlo criterioso e integrado dos números da covid, a definição das regras com que cada Estado lida com o fenómeno.

Portugal assumirá em breve a presidência do Conselho da União Europeia. É mais um desafio e mais uma oportunidade para quem está verdadeiramente nas mãos da UE. Para a Madeira, que detém o estatuto de RUP – Região Ultraperiférica – trata-se de um momento particularmente importante e sensível, ao qual a esmagadora maioria da população não liga nenhuma. Todos ouvimos falar da Europa, dos dinheiros da Europa, dos fundos e das diretivas. Mas convém ir mais além, deixar de exibir esta ignorância como um troféu. Porque definitivamente não é.