Debate alargado

A África do Sul, caminha para a beira de um plano inclinado económico e político que poderá vir a colapsar na próxima década se não metamorfoser ou não forem implementadas políticas de crescimento - amigável a todos os níveis e setores.

Desde o advento da democracia em 1994, o partido no poder perpetuou uma situação. Se não houver uma mudança significativa da trajetória, este maravilhoso país, segunda pátria de muitos madeirenses, poderá ser mais um estado falhado já no início da década de 2030, concluem a opiniões de consultorias que culpabilizam as estruturas criadas na era do “apartheid” as quais foram concebidas para excluir a maioria negra, gerando umas das sociedades mais dissemelhantes do mundo.

Desde o advento da democracia em 1994, o partido governamental sul-africano, perpetuou a situação, rejeitando o crescimento intensivo, ao invés de proceder a um aumento da massa salarial, subsidiando os mais pobres através de subvenções que auferem atualmente cerca de 18 milhões de sul-africanos, enquanto menos de um quarto da população sul-africana em termos percentuais da massa salarial uma percentagem do PNB significativamente excede os da Índia, Tailândia e das Filipinas.

Recomendações feitas ao governo sul-africano para que adote uma estratégia de via dupla para o desenvolvimento, mantendo níveis altos de suporte social pagando para isso e adotando uma política agressiva de zona económica especial a qual impulsione o crescimento e a criação de postos de trabalho, embora em circunstâncias diferentes colmatando de forma parcial os baixos salários. A presente estratégia seguida pelo ANC é a olhos vistos uma dicotomia com origem no “apartheid” que cristalizou pelo puritanismo ideológico e de uma cultura entricheirada de interesses.

O país não deverá optar por adversários ou antagonismos imaginários, mas adotar, sim, uma aproximação de dupla abordagem de reconciliação ou então resvalará para um Estado falhado. O governo, business, mão-de-obra e comunidades que correntemente trabalham um plano que reinicialize a economia e a necessidade de envolver todos os sul-africanos, onde a comunidade portuguesa não deverá ficar alheia, dando a sua contribuição com cautela e sem juízos temerários, uma vez que é a maior comunidade portuguesa no continente africano, cuja contribuição terá de ser apoiada pelo governo português que parece desconhecer o potencial desta comunidade, que pelo facto de estar radicada e viveu num Estado cujo regime anterior foi considerado crime contra a Humanidade, deixou esta diáspora intrinsecamente ligada a esse passado e com uma imagem menos boa, cujo estigma ainda hoje prevalece.

As visitas à África do Sul por governantes deveriam sobretudo ter tempo de qualidade, não ter reuniões e estar a olhar para o relógio constantemente. Nesta hora grave, de muita incerteza e insegurança, onde facilmente se observam as lutas figadais, em que membros do partido governamental se digladiam entre si pelas piores razões, não podemos ser incautos, é imperioso um acautelamento dos interesses coletivos da comunidade, da comunidade Lusa, com união, igualdade, espírito de entreajuda, e é premente que assentemos para organizar um planeamento fazendo previsões quanto ao futuro, tomando decisões acertadas e passar à prática ações que fortaleçam e sobretudo assegurem a permanência da comunidade nesta terra sendo necessário dizer, fazer saber ou transmitir aos membros da comunidade que a evolução da Europa, de onde somos oriundos, também não evoluiu com a rapidez que muitas vezes se pensa e diz, na tentativa de buscar através de um diálogo conjunto com cidadãos pacíficos e tolerantes preencher o vácuo ainda existente de relacionamento e a segurança que tanto necessitamos para manter a nossa presença e das gerações de luso-descendentes e repelir a todo o custo o tom funesto anunciador de tragédias. É de crucial importância um debate alargado, um diálogo sério entre “os que estão aí e os que aqui estão” sobre este tema, antes que se faça demasiado tarde e se estimule um diálogo com governantes de forma a elidir a percepção de que estamos a ser colonizados por “mandadores” de Lisboa.

A pandemia devastou vidas, negócios, empregos, bens e haveres, é exigível nestas circunstâncias fazer-se um levantamento, honesto, para atribuição dos subsídios de ASIC e ASEC, tão necessários para centenas de emigrantes que perderam os seus meios de subsistência vivendo sob a inclemência da penúria e votados agora à mendicidade.