Em casa não funciona

Senhor Secretário Regional da Saúde e Protecção Civil, isto (do confinamento) em casa não funciona!! Senão veja-se as medidas implementadas a todos os que chegam a Shanghai (estrangeiros residentes ou nacionais chineses).

1. Só entram no avião aqueles que apresentarem um teste PCR negativo realizado nas últimas 72h. Resultado negativo esse que tem que ser enviado à Embaixada da República Popular da China antes do embarque no avião; 2. O desembarque no avião é feito em pequenos grupos e sempre acompanhado pelas autoridades de saúde; 3. Todo o pessoal do aeroporto usa fatos de protecção, capuzes e viseiras faciais incluídas; 4. Uma vez no terminal, é atribuído a todos aqueles que chegam um código QR de rastreamento; 5. Uma vez recolhida a mala, os passageiros são separados em grupos e são enviados para um hotel, onde farão a quarentena. O hotel é totalmente pago pelo viajante, sem possibilidade de escolha do mesmo. Todos têm de fazer uma quarentena vigiada, tanto chineses como estrangeiros. Tratam-se de hotéis especialmente equipados para o efeito e onde à chegada é dado um termómetro e desinfectantes; 6. Todos os dias os viajantes têm de enviar através do código QR a sua temperatura corporal às 9h e às 14h. Existindo ainda controlo aleatório de temperatura por pessoal dedicado. É possível aos viajantes encomendar comida no exterior desde que esta venha embalada de fábrica; 7. Apenas os residentes podem continuar a quarante em casa ao fim da primeira semana; 8. A habitação do residente fica controlada por videovigilância e sensor na porta para impedir a saída intempestiva dos residentes até ao fim da quarenta; 9. A chegada à residência, para cumprimento da segunda semana de quarentena, é acompanhada por dois profissionais de saúde devidamente equipados e dois polícias, os quais lêem as obrigações do indivíduo e gravam em vídeo o processo de aceitação dos deveres de quarentena através de uma mini-câmera; 10. Ao fim de 12 dias é feito um segundo teste de PCR com vista a dar alta ao estrangeiro residente/nacional ou prolongar a quarentena, dependendo do resultado do referido teste.

Face aos casos de transmissão local existentes na Região Autónoma da Madeira e atendendo ao Estado de Emergência decretado pelo Presidente da República, e aprovado na Assembleia da República, impõem-se aproveitar esta oportunidade para apertar o cerco aos residentes da Região que chegam infetados, ou venham a ficar infectados, e ainda aos casos de transmissão local. Assim, independentemente das condições habitacionais, urge o confinamento compulsivo daqueles num estabelecimento hoteleiro dedicado para o efeito, tendo em vista estancar qualquer hipótese de contaminação junto de familiares e da comunidade local.

O sucesso do controlo da COVID-19 não depende de cercas sanitárias, mas de cercar sanitariamente os infectados em estabelecimento dedicado para o efeito.


P.S.: Esta semana foi aprovado no Parlamento Europeu o documento que protege as indicações geográficas europeias dos produtos a serem comercializadas na China. Desta lista, da qual constam 100 produtos, nenhum deles é originário das RUPs. O que fazem as senhoras Eurodeputadas da Região Autónoma da Madeira que nem o Vinho Madeira figura nessa lista?