Estendamos a mão

O Banco Mundial, presidido pelo senhor David Malpass, publicou no passado dia 7 de outubro um relatório que prevê no ano de 2021 (e pela primeira vez após o decurso de vinte anos) um aumento de 150 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza. E já no decurso deste ano, e devido à pandemia, mais de 88 a 115 milhões de pessoas estarão naquelas circunstâncias.

Não olvidemos que a extrema pobreza se caracteriza pela vivência com menos de 1,61€/dia e deverá afetar, já neste ano de 2020, cerca de 9,1% a 9,4% da população mundial que se encontra nos países que têm já altas taxas de pobreza.

Não consigo ficar indiferente a esta realidade, a estas pessoas que sofrem, que quase nada têm… que tanto podem viver num outro continente, como estar, aqui, ao meu lado, e que tal como eu, tal como o leitor, no momento do nascimento choraram, porque desejavam respirar, viver, mas agora (elas) apenas desejam ter um simples pão para cada dia!

A sociedade deve atuar, coletivamente, para que se possam contrariar as previsões mais negativas sobre a pobreza extrema! Os nossos políticos deverão ter por fito o “bem comum” que se “concretiza na tentativa de não esquecer nenhum daqueles cuja humanidade é violada nas suas necessidades fundamentais”, implementando medidas sociais de apoio material e psicológico.

Cada país, cada governo da república ou regional deverá, designadamente, e de modo exemplar, transparente, fazer um uso adequado dos apoios que serão disponibilizados a Portugal, pela União Europeia, logo que se verifique a aprovação do próximo quadro financeiro plurianual e do fundo de recuperação da crise. Virão por aí cerca de 13 milhões de euros em subvenções e apenas desejo, ardentemente, que estes apoios se destinem às áreas da saúde, da habitação e ao auxílio a ultrapassar as vulnerabilidades sociais. Não permitamos que este dinheiro se transforme em instrumentos que acentuarão o fosso entre os que muito recebem e aqueles que quase nada têm. Deixem-me acreditar que assim será!

O Papa Francisco no IV Dia Mundial dos Pobres, celebrado no pretérito Domingo, pede, também, a cada um de nós que estendamos a mão ao pobre! Qual pobre? Poderá ser aquele que deambula na minha rua, o que está só, o imigrante, o pobre de amor que se perdeu na droga, na prostituição, o faminto, o amigo, a família, o que “tem a mania de querer parecer rico” e o que quer aparecer nos primeiros lugares!

Estendamos a nossa mão a quem dela precisa, façamos como o bom samaritano que ao ver um homem espancado, ferido, aproximou-se dele e curou-lhe as feridas. Quantos doutores por ali haviam passado e viraram-lhe as costas, pois não pretendiam ver tal miséria. Aliás, pretendiam que estivesse bem longe dali, longe do seu bairro, da sua rua!

Na verdade, quando viramos as costas ao pobre, que nos pede auxílio, rejeitamos a nossa contribuição para o bem comum, dizemos não a um jeito muito simples de dar de nós, ao próximo, com inteireza. E esse apoio que se poderá traduzir num simples gesto, num sorriso, numa orientação, numa conversa, será naquele dia, para aquela pessoa uma gota no meio do oceano, mas sem essa (extraordinária) gota o oceano da vida daquela pessoa, naquele dia, seria menor - tal como nos ensina a Santa Madre Teresa de Calcutá.

Que os políticos e cada um de nós nos sintamos responsáveis por contribuir para a diminuição da pobreza, estendendo a mão ao pobre (com quem tantas vezes aprendemos) não tendo medo de arriscar, pois somente assim seremos, verdadeiramente, pessoas que fazem parte de um mundo que sabe que todos são iguais em dignidade.