O que mudou

O ano de 2020 está a ser marcado por um vírus invisível que deixará profundas cicatrizes sociais, económicas e políticas em todo o mundo. Se todos nos adaptamos, de uma forma mais ou menos positiva, às mudanças que ocorreram, sabemos que um futuro incerto ainda nos aguarda. Todos, sem exceção, fomos confrontados com a necessidade de agir rapidamente sob pena de não se conseguir proteger e garantir, em primeiro lugar, a salvaguarda da saúde e a vida dos cidadãos.

Ainda estamos à procura de respostas de como será o nosso futuro no mundo pós-pandemia. O que sabemos é que a grande maioria das pessoas já se adaptou às mudanças que ocorreram ao nível da saúde, do trabalho, da educação, das relações pessoais e sociais, do entretenimento e do consumo de informação, no entanto, certo é que já se passou quase um ano desde o início da pandemia, que teve a sua origem na China, e ainda o Mundo está a lutar para controlá-la e a Madeira não é exceção.

Como diz o poema de Luís de Camões “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e se algumas tendências pareciam longe de se tornarem realidade na nossa sociedade num curto espaço de tempo, o vírus que nos levou ao isolamento no início do ano, parece agora torna-las em comportamentos quase normais. O uso de máscara, o distanciamento social, a etiqueta respiratória e a higienização frequente das mãos, fazem parte do nosso dia a dia de uma forma quase inata.

Mas para estarmos hoje a falar com alguma normalidade sobre os nossos comportamentos, todos tivemos de fazer o nosso processo de adaptação.

Esta capacidade que o ser humano tem de se adaptar resulta do facto de sermos seres de hábitos, e como sabemos, os hábitos conduzem à rotina, reduzem a incerteza e traçam parâmetros para a realização das nossas atividades diárias. Ajudam, também, na capacidade de tomarmos decisões e tornam-nos mais resistentes à frustração fazendo com que grande parte das pessoas saiam da sua zona de conforto e estimulem a sua criatividade.

A panóplia de respostas criadas no início da pandemia, num momento em que imperava a restrição de circulação e da interação social são exemplos deste processo de adaptação. Desde logo, a criação de plataformas digitais e virtuais que permitiram que os setores público e privado continuassem a trabalhar com efetividade, as aulas online, as consultas por vídeo chamada, os exercícios físicos em casa com um PT virtual, as lives de artistas, entre tantas outras mudanças, muitas delas já pensadas e algumas já implementadas muitos timidamente mas que com a pandemia tornaram-se cruciais.

Hoje ainda não podemos “baixar os braços” e dizer que o pior já passou. Aliás, as medidas que o Governo Regional tem adotado desde o início da pandemia no sentido de preparar o sistema de saúde, responder à proteção das populações mais vulneráveis e recuperar a economia para minimizar o impacto a longo prazo, estão a ser determinantes para que a Região Autónoma da Madeira consiga fazer frente a um vírus invisível.

Estou certa que a pandemia veio alterar o foco da nossa visão perante o outro. Hoje olhamos para o outro e entendemos que o nosso bem-estar depende de uma ação coletiva onde as ações e os comportamentos de cada um são peças fundamentais para a saúde de todos.