Assobiar para o lado

Os socialistas da Madeira, sempre atentos ao momento político, fugiram a sete pés de debater as propostas que se discutem e votam a partir desta semana na Assembleia da República. As do Orçamento de Estado para 2021.

Promoveram um encontro de estudo, mas nada quiseram dizer sobre o que vai acontecer durante estas semanas.

Os socialistas da Madeira não têm pensamento político, sobre a tentativa do seu Governo de Lisboa de matar o Centro Internacional de Negócios – assunto que está em cima da mesa neste mês de novembro.

Empurrando com a barriga o assunto e fingindo não compreender o que se avizinha, o Governo de António Costa está “amarrado” a um partido radical de esquerda, que defende a “democracia exemplar” da Coreia do Norte.

Esse partido, que parece não incomodar nenhum pseudo democrata dos que ultimamente saltitam por tudo quanto é sítio para exibir “indignação açoriana”, chama-se Bloco de Esquerda e é quem dita ao PS o que vai ter de fazer para que António Costa não caia.

Logo, os perto de 6000 postos de trabalho, diretos e indiretos, e as mais de 2000 empresas que existem no Centro, são um assunto que Paulo Cafôfo e o seu belo gabinete de estudos não quer estudar!

É sempre mais fácil convidar umas pessoas e depois fazer uma intervenção final onde nada do que vai ser tema nesta semana – as opções de política que tocam diretamente a Madeirenses e Porto-Santenses, é abordado.

Compromete muito menos fazer proclamações retóricas sobre generalidades para o futuro.

Isso não gera a maçada de ser escrutinável logo ali ao virar da esquina. É pura espuma dos dias, que não cria dificuldades e enche mais uma notícia.

Mas os socialistas madeirenses, que tanto dizem preocupados com a Região, porque não falam claro quanto ao que defendem?

Ou será que o líder não sabe?

Já agora podia falar sobre o seu pensamento profundo quanto à opção de um ferry todo o ano. (Uma ideia absurda mas sua. Inteiramente sua).

Ou poderia dizer o que fará se os mais de 20 milhões de euros que são suportados pela Região, para apoiar na saúde os Polícias, a GNR e os militares que aqui exercem funções, uma vez mais não forem transferidos?

Ou ainda, pode o PS Madeira pensar alguma coisa sobre a inércia de António Costa na aplicação do que a Assembleia da República aprovou? Ligações aéreas com pagamento de apenas 86 ou 65 euros, conforme a situação, tema da maior importância para quem se tem de deslocar.

Não. Os socialistas da Madeira não estão em condição de pronunciar uma única palavra sobre estes temas, que serão votados durante estas próximas semanas na República.

Simplesmente porque estão docilmente submetidos às ordens do partido em Lisboa. E as ordens são para estar calado. Sem pestanejar. À espera das exigências, que acatarão, dos partidos extremistas.

Um deles, o Partido Comunista Português, depois de ter tido a anuência para fazer festas, que ninguém mais podia, agora aguarda seriamente por autorização para realizar o seu congresso, em tempo de confinamento. Com ameaças pelo meio de voto contra o Orçamento para 2021.

O Bloco de Esquerda, produto da fusão de três forças radicais de esquerda, a UDP (marxistas), a Política XXI e o PSR (Partido Socialista Revolucionário - trotskistas), luta para não perder relevo na disputa dos votos. Por isso, ei-los a ditar regras e ordens sobre como será o futuro Orçamento de Estado.

Neste tabuleiro, em que as estrema esquerda anti democrática tem os socialistas na mão, o PS Madeira assobia para o lado. Nem nos temas que diretamente prejudicam os Madeirenses, são capazes de arriscar um pensamento!

É tão fácil assobiar para o lado…