Sobre o Dia Mundial da Alimentação

É no dia 16 de outubro que se comemora o Dia Mundial da Alimentação. No âmbito destas comemorações, felizmente, os media, redes sociais e também já muitas instituições, principalmente de educação, dão o seu cunho, abordando a temática dos hábitos e alimentação saudável de forma a prevenir a sobrealimentação e obesidade. Mas apesar do tema do excesso de peso ser deveras importante, pois Portugal, em 2019, ocupava o quarto lugar dos países da OCDE com população mais obesa, o Dia Mundial da Alimentação remete para muito mais do que isso.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), lançou o mote deste ano atípico de 2020: “Cultivar, Alimentar, Preservar. Juntos. As nossas Ações são o nosso futuro. Principalmente, neste período em que vivemos, este dia deve, sem dúvida, ser uma chamada de atenção para o civismo e consciência coletiva no que respeita à gestão da alimentação diária, produção alimentar e má distribuição de alimentos na nossa sociedade. Segundo a FAO a pandemia veio agravar situações de vulnerabilidade, ameaçando inverter ganhos importantes em segurança alimentar, nutrição e meios de subsistência - mais de 2 mil milhões de pessoas não têm acesso regular a uma alimentação suficientemente segura e nutritiva.

Começamos pela ajuda aos agricultores e negócios locais de venda de produtos regionais e o apoio ao cultivo de alimentos biológicos. Esta fase que atravessamos, terá consequências económicas e por isso mesmo a autossustentabilidade das comunidades deve ser prioritária. Comprar o que é nosso,  principalmente numa ilha como a nossa em que o clima abona a nosso favor para as produções agrícolas,  irá promover ganhos na economia local , irá ajudar pequenas e médias empresas e a população ficará muito mais nutrida e bem alimentada – os alimentos não sofrem transportes prolongados, são cultivados sazonalmente, mantêm muito mais propriedades nutricionais e acabam por nos servir muito melhor.
Temos a capacidade de nos impormos à soberania alimentar e todos temos a liberdade de escolha, por isso escolhamos o que é nosso e se o que for nosso for biológico e sem agrotóxicos muito melhor!

Outra questão importante que devemos abordar é a questão do desperdício alimentar. É imperativo gerirmos melhor as nossas escolhas alimentares, até porque, a subalimentação não é um tópico assim tão descabido. O desperdício alimentar que se gera no planeta, começando pela nossa própria casa é descomunal.  As sobras que vão para o lixo serviriam para alimentar muitas pessoas em dificuldade alimentar até porque o número de pessoas a passar fome, “devido ao COVID-19” tem vindo a aumentar.   Por isso o debate deverá centrar-se também em estratégias para evitar o desperdício e para tornar a alimentação, necessidade básica, segura, nutritiva e acessível a todos.

Por fim, todos devemos ter uma consciência ambiental. O desperdício que geramos é muitas vezes acompanhado de lixo plástico que deveremos no mínimo reciclar. E de onde é que vem esse lixo? A verdade é que na maioria das vezes é a “cápsula” dos produtos processados! Alimentar-nos do alimento o mais natural possível é a melhor estratégia para a nossa saúde e saúde do ambiente.

Em suma, sustentabilidade, subalimentação, desperdício alimentar e consciência alimentar são temas em que nos devemos focar pois a nutrição saudável e acessível a todos está somente e apenas nas mãos de todos nós!