Porque sim! É possível…

Não é fácil ser professor em meio de uma pandemia, onde as regras apertam, os medos são uma aflição constante e as consequências são reais! Realisticamente falando, na educação não pode haver suspensão de atividade e muito menos uma indefinição de continuidade do processo ensino/aprendizagem, o ensino é base fundamental numa sociedade, pela necessidade prosseguir o processo de formação intelectual e social do aluno e porque o bom funcionamento da escola é fundamental para a organização das famílias atuais onde todos têm função a desempenhar e uma simples febre do descendente implica ginástica organizacional familiar, justificação de faltas ao emprego e consequentemente “o olhar de canto” do empregador que tem sempre o “dever” na linha de ação porque o “direito” não é conveniente.

O ano letivo anterior terminou de forma drástica e confusa, mas de forma necessária, estas gerações ainda não tinham presenciado nenhum acontecimento global suficientemente complexo para entender e viver privação de liberdade e bens essenciais. Apesar de tudo e relativizando isto à Europa, vivemos uma pandemia moderadamente controlada longe das vivências das anteriores gerações massacradas por guerras, ditaduras, fome, frio, e tantas outras adversidades, e como se não fosse suficiente, são agora essas mesmas gerações o elo mais fraco das consequências pandémicas, os mais velhos e frágeis, muitas vezes vitimas indiretas do egoísmo e inconsciência dos que ainda pouco ou nada sofreram na adversidade da vida. O fecho de escolas foi necessário para preparar e aplicar um plano de ação correto à pandemia, mas infelizmente para muitos em tempo de férias o “plano terminou”, as consequências são agora visíveis, a saúde e a educação são importante, a praia, concertos, comícios e peregrinações, nem tanto! Não era o momento, mas por conveniências económicas e de poder realizaram-se! Consequentemente, as contaminações aumentaram de forma absurda e inadmissivelmente as mortes também, as vidas são irrecuperáveis e com elas foi uma parte da cultura, da tradição, da partilha e capacidade de luta. E não! Não ficaram os fortes! Ficaram os fracos, porque os que “partiram” lutaram até ao fim.

Nas escolas fazemos o possível para ensinar um pouco de tudo, e hoje mais que nunca é importante reinventar a escola, as tecnologias que há bem pouco tempo eram ferramentas ao serviço do lazer, são agora indispensáveis ao trabalho abrindo caminho à necessidade de criar, fazer e saber fazer, as crianças começam a fartar-se dos écrans, começa a ser um bem maior o convívio com os amigos que antes se fazia naturalmente em grandes grupos no intervalo, falta agora aquela conversa ou historieta dos avós que tentamos proteger de nós mesmos, falta o toque nos objetos que nos rodeiam, faltam as sensações e afloram-se emoções! E aqui surge a importância da arte e artesania nas escolas. Como professor vivencio nas crianças quase uma rebeldia necessária, um desejo de criar e de brincar! E dito isto, porque não?

Este é o momento! Façamos arte e artesanato nas nossas escolas, porque é isso que realmente somos, um país de habilidosos, artistas e artesãos.