Não pode ser o salve-se quem puder

Há cerca de seis meses quando fomos atingidos pela pandemia, cujas proporções então não se previam, dizia-se até que lá para o verão as coisas haveriam de melhorar porque os UV são inimigos do corona e portanto a coisa melhoraria com o aumento da temperatura e que entretanto teríamos de ser mais solidários, menos egoístas, deveria de haver maior entreajuda e tolerância, bla, bla, bla.

Pois bem, volvido um semestre nada foi assim. O Verão não resolveu coisa nenhuma. A economia foi a pique, os problemas sociais subiram em flecha, com o aumento do desemprego e do lay-off, o número de divórcios aumentou depois do confinamento, brevemente veremos se, pelo menos, a natalidade aumentou devido a esse mesmo confinamento, a pequena criminalidade aumentou e por vezes parece que vivemos num mundo sem regras, nem princípios, como se tem visto maios nestes últimos tempos.

O mundo do vale tudo está aí e não basta apelar ao bom senso de cada um para que as coisas melhorem, porque já se percebeu que isso nunca será assim. Estamos muito preocupados com os direitos constitucionais de cada um, mas nada empenhados nos deveres sociais que reclamam a nossa atenção.

Quem anda hoje pelo Funchal apercebe-se, facilmente, do aumento do número dos sem-abrigo, mas também de outros tipos de delinquência que preocupa cada vez mais os transeuntes sem que as autoridades policiais, que raramente se vislumbram, atuem dissuadindo esses fenómenos.

Ao invés, está cada vez mais presente na caça à multa, que comprovo pelo que assisti há dias na Pontinha em que um agente, muito zeloso, estava a emitir a multa a uma viatura que estava estacionada num espaço da APRAM, ao início da noite, altura em que os respetivos serviços já nem funcionavam. Alguém foi dar uma volta a pé, para folgar o orçamento da saúde e levou com a rifa. O diálogo entre o contribuinte e as forças de segurança que são pagas com o nosso dinheiro é coisa que raramente existe.

Na política a coisa não está muito diferente. Nesta altura de debate do orçamento de Estado é todos os anos a mesma coisa, uma gritaria que não se pode. São os “bons” daqui a dizer cobras e lagartos dos “maus” de lá, com comparações com os Açores, que recebem do OE mais uns milhões que a Madeira, por terem mais sete ilhas mas isso não interessa para nada, alegaram os reclamantes.

O PSD por estes tempos invoca muito os Açores no resto do ano foge a essas comparações como o diabo da cruz, nomeadamente no que respeita ao custo de vida mais ameno que existe naquela Região Autónoma do qual o Governo Regional nem quer ouvir falar porque não tem justificação credível que vá mais além da aselhice de algumas negociações feitas pelo governos da Madeira com governos PSD do continente, nomeadamente em matéria de transportes.

Entretanto ficámos a saber que o SESARAM teve um prejuízo de 26 milhões de euros em 2019, que em boa verdade não deverá ter sido pela excelência dos serviços prestados, nem pelo sucesso no combate às listas de espera que infelizmente continuam a aumentar a olhos vistos.

Outra verdade é que o SESARAM também não é para dar lucro, não somos especialistas em nada de destaque a nível mundial que pudesse trazer à Região o designado “turismo de saúde” que pagando bem pelos serviços prestados melhorasse o Balanço daquela entidade.

O lucro do SESARAM é aferido pelo grau de satisfação dos seus utentes e esse é amplamente conhecido. Uma lástima!