Para a TAP não somos todos portugueses

A TAP e o Governo da República continuam a fazer o que querem com as ligações aéreas e a desconsiderar as nossas comunidades. É preciso relembrar que um dos três eixos fundamentais, uma das razões para o Estado derramar mais de 1200 milhões de euros e aumentar a sua participação de 50% para 72,5% na companhia aérea, foi precisamente manter uma ligação com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. A nossa companhia aérea nacional tem que servir ao país, e ainda mais quando o acionista maioritário é o Estado que tem que assegurar a coesão e a união dos portugueses com as ligações aéreas, marcando uma presença efetiva junto da nossa diáspora.

Ligações aéreas com África do Sul

Numa altura tão difícil para nossa comunidade na África do Sul, registamos, novamente, mais uma falta de consideração e de respeito para com a comunidade portuguesa naquele país, atendendo a que as anunciadas ligações aéreas entre Lisboa e a Cidade do Cabo já não vão acontecer este ano, sem motivo, nem razão nenhuma.

Muitos madeirenses na África do Sul, que já tinham preparado esta viagem, que já tinham pago as suas viagens, viram os seus planos desfeitos porque a TAP decidiu, num momento tão difícil, virar costas à nossa diáspora.

Um país com tantos portugueses e lusodescendentes, com muitos madeirenses à espera de voltar à sua terra, de fazer férias cá, junto dos seus familiares e amigos, ficaram a saber pelas notícias e jornais que as ligações aéreas não vão afinal acontecer. Isto é abandonar os nossos, isto é virar costas a quem tanto deu à nossa terra e que hoje precisa de nós.


Voos de repatriamento Caracas-Lisboa

A semana passada, no dia 6 de outubro, aterrou em Lisboa um voo de repatriamento organizado pelo Consulado de Portugal em Caracas. Um voo da TAP com 295 passageiros dos quais 240 são de nacionalidade portuguesa e 190 tiveram como destino final a Região Autónoma da Madeira.

Até agora foram realizados três voos de repatriamento, sendo o primeiro organizado no dia 13 de junho, o segundo no dia 1 de agosto, e o terceiro no dia 6 de outubro. Foram já repatriadas 385 pessoas com residência na Madeira que tinham ficado retidas na Venezuela por causa da pandemia da covid-19.

Este voo de repatriamento representa, de facto, um grande esforço que muito reconhecemos, sobretudo um esforço do Consulado de Caracas, que tem estado desde o primeiro dia com uma grande preocupação nesta matéria, e que tem tido, por parte do Governo Regional um acompanhamento muito próximo. Não posso, no entanto, deixar de ficar surpreendido, e confesso que revoltado, com os preços das passagens nestes voos de repatriamento, por parte da TAP, da nossa companhia aérea nacional, que cobrou 855 euros a cada passageiro, desde Caracas até Lisboa. Para termos um ponto de comparação, devo dizer que a companhia estelar fez um voo de repatriamento na mesma semana, especificamente no dia 3 de outubro, com um voo Caracas-Madrid, que teve um custo de 550 dólares. Estamos a falar, portanto, de uma diferença de mais de 300 euros, só na viagem até Lisboa, sem contar com a viagem até à Madeira. E sabemos o aproveitamento que há muitos anos tem sido feito nas viagens Lisboa-Madeira.

Numa altura tão difícil para nossa comunidade que ficou retida na Venezuela, o que menos precisamos é que brinquem e que se aproveitem daqueles que precisam sair do país. Não merecem que a TAP, detida maioritariamente pelo Estado, aproveite esta situação de necessidade para praticar estes preços.

A TAP continua a fazer o que quer com as ligações aéreas e com as nossas comunidades nos momentos em que mais precisa, sem que se assista a qualquer intervenção por parte do acionista maioritário, ou seja, do governo socialista da República. Uma vergonha!