Ainda acreditou?

Foi notícia no dia 30 de setembro que o Presidente da República Portuguesa informou o Presidente do Governo Regional da Madeira, que a Região teria o aval do Governo da República Portuguesa para um empréstimo de 458 milhões de euros.

Era a informação esperada pela Madeira desde junho e que levou a uma iniciativa legislativa na Assembleia da República por parte do PSD, como forma de forçar a uma tomada de posição.

Lembrar-se-ão que o Governo de António Costa tentou por todos os meios inviabilizar a iniciativa.

A proposta foi a votação e o PS votou contra. Mas foi aprovada na mesma na Assembleia da República.

Veio o Verão, passou julho e agosto e nada.

Insistência sobre insistência e nada.

A Madeira, com zero recursos financeiros vindos da República Portuguesa e a ter de fazer face a gastos extraordinários, para as mais diversas despesas, desde respostas na saúde, de apoios às empresas para segurar empregos a medidas para apoiar funcionamentos e ajudar famílias – de tudo um pouco tem sido feito.

A receita caiu, e muito, e as despesas urgentes dispararam.

As 720 horas do mês de setembro voaram e nada, até que na vigésima quinta hora é dado saber que o primeiro ministro tinha concordado em dar o aval.

Nem é o próprio a comunicar isso ao Governo Regional, num ato de desrespeito, desconsideração, descortesia, deselegância, imprópria para o relacionamento entre governos.

Teve de ser o Presidente da República a informar.

Mas o pior veio depois.

Passaram os dias e nada. Afinal não vai haver aval. Portugal prefere que os Madeirenses paguem mais 84 milhões de euros, em juros, por um empréstimo, ao invés de aceitarem dar um aval que baixaria neste montante o valor dos juros, não implicaria qualquer custo para a República Portuguesa e saia bem para todos.

Para ter uma ideia, o Governo de Portugal prefere que os Madeirenses paguem a mais, um valor que dava para fazer duas vezes e meia as escavações para a obra do novo hospital. Ou corresponde a mais do que todo o custo do projeto que está em fase de acabamento, da Central Hidroelétrica da Calheta III.

É isto o que podemos esperar dos socialistas!

Indiferença. Desprezo pelos que aqui vivem. Desonestidade intelectual e desrespeito institucional.

Quanto aos socialistas de cá, o que dizer?

Cafôfo nada diz sobre o assunto. Não tem coragem. Não tem conhecimentos. Não tem opinião própria. Espera ordens dos chefes de Lisboa.

Carlos Pereira, deputado na Assembleia da República disse, depois de confirmado que a Região avançaria esta segunda-feira com o empréstimo mesmo assim, sem aval pois não podemos esperar mais, que “o aval pode chegar a qualquer momento”. Não têm vergonha?