Que falta que nos faz a verdade!

Nestes últimos dias temos ouvido notícias e lido artigos que nos fazem pensar onde andará a “verdade”?!

“Verdade” que nos impele “a ser inteiros” em cada instante da nossa vida e que é o contrário de injustiça. Costumo dizer, lá por casa, que “quem mente em coisas muito pequenas com certeza que mente em coisas muito grandes. Logo, sejamos verdadeiras (meninas) para que ao virar da esquina não se alcance que de inteiras temos muito pouco”.

Ainda que ao longo destas semanas tivesse lido e conversado sobre lamentáveis episódios, apenas irei mencionar dois, que respeitam à vida política, que me deixaram atónita, e em que foi percetível a inabilidade na forma de comunicação que suscitaram sérias dúvidas sobre a inteireza das decisões, sobre a verdade das mesmas!

Em primeiro lugar a apresentação de uma proposta de Lei do Governo da República que pretende estabelecer medidas especiais de contratação pública e alterar o Código dos Contratos Públicos e o Código de Processo nos Tribunais Administrativos. Ora, ainda que urja criar procedimentos que agilizem a utilização dos fundos comunitários de que tanto carecemos, creio que a dita proposta de lei introduz sérios riscos na redução da concorrência, bem como no respeito pelo mérito e na exigência na avaliação dos contratos que serão celebrados. Daí que, e sob pena de veto presidencial, a proposta apresentada, efetivamente, será melhorada para que possamos inferir da inteireza da mesma, ou seja, da verdade que aquela pretende alcançar.

Em segundo lugar, a “substituição” do senhor Presidente do Tribunal de Contas que deveria ter sido tramitada sem ruído e agitação, por partes dos criadores de opinião pública, porquanto se tratava de um simples fim de mandato que tem a duração de quatro anos.

Logo, terminando aquele (mandato) e ainda que a prática tenha sido a da recondução, a bem da verdade (e que, igualmente, me parece que encontra conforto na letra constitucional) após aqueles quatro anos, deveria o senhor Presidente da República, por proposta do Primeiro – Ministro, nomear um “novo” Presidente do Tribunal de Contas – tal como aconteceu!

Efetivamente, as instituições, a Assembleia da República, o Governo devem ser integradas por pessoas que, temporariamente, imprimem naquelas o seu elevado cunho profissional, as quais, não entendendo o seu lugar como uma mera busca de poder, ali deixam as suas obras (feitas com generosas fadigas e dolorosas paciências) que não se perderão, porquanto feitas com amor, com total disponibilidade e entrega, com verdade – tal como nos ensina o Papa Francisco na sua Carta Encíclica “Fratelli Tutti”!

Revisitando a aludida Carta Encíclica do Papa Francisco, do pretérito dia 3 de outubro, o Santo Padre ali nos refere que “(…) Uma sociedade é nobre e respeitável, nomeadamente porque cultiva a busca da verdade e pelo seu apego às verdades fundamentais. Temos de nos exercitar em desmascarar as várias modalidades de manipulação, deformação e ocultamento da verdade nas esferas pública e privada. O que chamamos “verdade” não é só a comunicação de factos operada pelo jornalismo. É, antes de mais nada, a busca dos fundamentos mais sólidos que estão na base das nossas opções e também das nossas leis”.

Que cada um de nós, até nos momentos mais simples da nossa vida, saiba sempre atuar com verdade, com inteireza, para que não surjam situações de injustiça, de desprezo pelos mais frágeis, pelos mais vulneráveis…, que falta que nos faz a verdade!