Somos Europa!

Desde o início das minhas funções no Parlamento Europeu (2 de julho de 2019), assumi a missão de representar a Madeira e Portugal junto das instituições europeias, e pugnar sempre pela defesa intransigente dos interesses da Região Autónoma da Madeira na União Europeia e junto dos mais diversos órgãos.

Em jeito de balanço, foram mais de 200 reuniões parlamentares, 80 intervenções, 70 eventos, 6 propostas parlamentares, 30 questões à Comissão Europeia e ao Conselho Europeu, dezenas de reuniões do grupo político dos socialistas e democratas e sempre na defesa do melhor para a nossa Região.

Todos nós já ouvimos falar que os trabalhos em Bruxelas são morosos e prolongados, e o trabalho de um eurodeputado não é exceção. São muitas as negociações, dificultadas pelo facto de estarmos sentados à mesma mesa, com propósitos e ideais completamente diferentes: a quarta força política no Parlamento Europeu é anti-União Europeia!

A União Europeia que nos dá fundos, financiamento e programas, e que contribui direta e indiretamente para o nosso modo de estar e viver, como região ultraperiférica que somos de pleno direito. A União que afeta cerca de 68% da legislação portuguesa, e que nos faz pertencer a algo muito maior do que a simples soma das 27 partes. A mesma União que, perante uma das maiores e mais graves crises sanitárias, acionou em tempo recorde o mecanismo SURE de apoio ao emprego, e que permitiu a muitos dos seus cidadãos manterem o seu emprego.

A União que face a uma das mais graves crises económicas e sociais, propõe um pacote de recuperação de 750 mil milhões de euros, num momento único e sem precedentes na história da UE. Porque as lições da crise de 2008 foram aprendidas, e hoje todos nós sabemos que a austeridade não é solução.

Esta é a União Europeia, da paz, da liberdade, da democracia, do estado de direito, da segurança e da justiça. Do desenvolvimento sustentável aliado ao crescimento económico. Líder mundial no combate às alterações climáticas. A União Europeia da coesão económica, da coesão social e da coesão territorial, dos direitos humanos e da solidariedade entre todos, e do respeito pela diversidade cultural e linguística.

A União Europeia, que está no cerne do nosso desenvolvimento enquanto região, insular, afastada da placa continental, de pequena superfície, de orografia difícil e de pequena escala.

Por diversas vezes no Parlamento Europeu deparo-me com decisões difíceis, mas a mais difícil das negociações é superada quando sabemos que estamos do lado certo da história. O lado da história que luta todos os dias por uma melhor Europa, por melhores condições de vida para os nossos cidadãos, e porque hoje, no Parlamento Europeu, a extrema direita é a quarta maior força política, lutamos também pelo combate aos radicalismos.

As próximas eleições europeias serão em Maio de 2024, daqui a pouco menos de 4 anos, e se até lá nada for feito, não se avizinham bons presságios para o projeto europeu. Certamente que não hesitarão, em momento algum, destruir tudo aquilo que foi criado e desenvolvido nestas 7 décadas de União.

Somos europeus de pleno direito e não apenas de 5 em 5 anos, na altura das europeias.

O projeto europeu precisa de cada um de nós, em todas as batalhas e frentes.

*artigo adaptado do discurso do XIX Congresso do PS Madeira, 19 de setembro.