A verdade nua e crua

Os desafios, as dificuldades, causadas pela pandemia originada pela COVID-19, já foram exaustivamente esmiuçadas por vários cidadãos de vários quadrantes da sociedade. Inclusivamente por mim, neste mesmo espaço.

No entanto, nunca é de mais relembrar que a pandemia continua, e é uma realidade no nosso dia-a-dia, pelo que se exigem respostas adequadas, quer em matéria de saúde pública, quer nos apoios económicos e sociais. As dificuldades vividas na nossa Região são muitas e conhecidas. Infelizmente, também é sobejamente conhecida a falta de apoio e solidariedade da República, como bem temos visto.

Não é de mais relembrar que, apesar de termos demonstrado estar à altura da pandemia, e termos acautelado, a saúde e o bem-estar de todos os madeirenses e porto-santenses, existe uma evidente discriminação por parte do Governo liderado por António Costa, em relação à Madeira. Para a Ilha Terceira, concede apoios no valor de 1,5 milhões de euros para a retoma económica e social. Para a nossa Região, ainda nem uma medida, nem um gesto, nem sequer uma palavra de apreço.

Mesmo assim, mesmo sem essa solidariedade, somos referencia a nível Nacional e Internacional, pela forma corajosa, audaz e atempada, como respondemos a esta crise.

Antes desta pandemia, os dados, os índices, eram claros: a Madeira e o Porto Santo estavam num percurso e clima de franca sustentabilidade económica, financeira e social. As nossas contas públicas, estavam consolidadas e equilibradas. Há sete anos que havia crescimento económico consecutivo. A taxa de desemprego era de 5,6%, a mais baixa do país. Conseguimos inclusivamente a redução de 1,5 mil milhões de euros da dívida global da Região, entre 2012 e 2019. Relembro também a descida substancial das receitas fiscais, menos 195 Milhões de Euros arrecadados, só este ano, e a subida não esperada da despesa, em mais 120 Milhões de Euros, contabilizando apenas o corrente ano.

Estávamos, pois, a viver uma situação financeira sólida e consolidada e de grande competitividade das empresas e dinamização da economia regional, com o emprego a crescer como nunca.

Apesar do percurso positivo antes da pandemia e do valoroso trabalho do Governo Regional em prol da saúde, segurança e bem-estar de todos nós, há quem insista e persista em, demagogicamente, clamar que tudo está mal, que vivemos num caos. Porventura aqueles que assumem esse comportamento de crítica fácil e gratuita, esquecem-se da verdade dos factos: 0 mortes até à data, 0 profissionais de saúde infetados, 0 casos de infeção nos lares da Região.

Na política não vale tudo. Por muitas discordâncias ideológicas que existam, por muitas divergências que tenhamos, não podemos sustentar a nossa ação política num discurso vazio, em ideias vagas sem qualquer tipo de projeto concreto, numa cega ambição de conquistar o poder, a qualquer preço, a qualquer custo, sem olhar a meios.

Atacar ferozmente, sem apresentar uma alternativa válida para o futuro da Madeira e do Porto Santo é intelectualmente desonesto. Precisamos de responsabilidade. De estar à altura do desafio e de corresponder às legítimas aspirações da população nesta fase difícil das nossas vidas.