Caminho da paz

Dia Internacional da Paz foi assinalado à volta do mundo esta semana, mais precisamente a 21 de setembro, o que aconteceu pela trigésima nona vez consecutiva e como sempre a coincidir com o equinócio de setembro, dia em que ambos os hemisférios da Terra se encontram, igualmente, iluminados pelo sol. O mesmo não se pode dizer sobre os homens sempre em constantes divergências que obstaculizam sistemática e criminosamente todas as tentativas e resquícios conducentes à Paz. As celebrações têm um desígnio nobre e único de lembrar e relembrar a todas as pessoas em redor do universo do carecimento de paz, uma paz perenal.

O Dia Internacional da Paz deverá ser um dia integralmente vocacionado à paz, vinte quatro horas de não violência e cessar-fogo absoluto e que prevaleça a noção de que quem quer que seja, fique claro, que não somos inimigos uns dos outros onde se deverá espargir compaixão, bondade e esperança. Assiste-se atualmente a uma ativa e frequente contumácia doentia em relação ao “politicamente correto” pois sou de opinião que para mudar o mundo é imperativo que harmonia e a cooperação possam prevalecer e que os valiosos recursos usados e desperdiçados para guerras possam ser utilizados para eliminar a miséria, fome, doenças e o analfabetismo, enfim, minorar o sofrimento humano em todo o mundo, mas, especialmente em África. Julgo que a criação de uma federação ao nível global de nações, talvez, não seja uma ideia imprudente e na qual se possa vislumbrar um sistema coletivo de segurança dentro de uma estrutura de trabalho de uma federação global na qual todas as raças, credos e classes, unidas, contando sempre com a autonomia dos estados membros, para garantes das liberdades e iniciativas individuais, pugnando pela sua salvaguarda, uma federação que consistiria de uma legislatura a nível mundial para decretar leis necessárias a regular a vida, promovendo e satisfazendo  as necessidades e ajustamentos do relacionamento entre diferentes povos e um tribunal internacional para deliberar ou adjudicar o veredicto final em toda e qualquer disputa.

Há poucas horas fui surpreendido com as doutas palavras de João Gomes Cravinho, ministro da Defesa Nacional que admitiu haver “uma grande maioria” de países europeus a favor de que a União Europeia (UE), além do apoio já prestado em equipamento e formação militar, forneça igualmente armas a países terceiros, nomeadamente para África. Em novembro do ano passado, escrevi que “A guerra ainda é um negócio” e que os dolorosos exemplos de dois conflitos mundiais com a devastação de vidas humanas que todos conhecemos, lamentavelmente, a lição continua por aprender, por que a guerra ou guerras que duram e perduram no continente africano, sejam por motivos religiosos, ardor nacionalista, óleo, ouro, platina, diamantes ou gás é inconcebível que o fornecimento de armamento continue a ser feito de forma insensível, malévola talvez que são responsáveis no fomento de conflitos e no aumento da espiral da criminalidade em África cada vez mais violenta e terrífica, e o que se torna ainda mais gravoso é o fornecimento de armamento a algumas nações africanas em que os seus líderes déspotas, autoritários, viciosos e predadores que (des)governam os estados repressivos com instintos de niilismo, estão mais carentes, sim, de ideias do que armas que não têm dificuldade na sua obtenção.

Esta ideia “brilhante” da UE é no mínimo repulsiva porque o fornecimento de armamento para África, poderá significar que cada uma das armas venha a ser assestada, amanhã, a nós cidadãos portugueses, stock vivo de Portugal em África, vivendo num continente em permanente ebulição com xenofobia, discórdias, confrontos, violência e ódios atingindo  sempre os mais vulneráveis. É por isso mesmo que os conflitos em África constituem desde há muito tempo um enorme desafio, e o grande objetivo, a tónica da União Africana (UA) relativa a 2020 é de que as “armas têm de ser silenciadas”.

Com esta atitude da maior parte dos países da UE favorável ao fornecimento de armas e como o senhor ministro da Defesa Nacional formado em Ciências Políticas e também pela London School of Economics, mencionou também ser uma mais valia para um conjunto de empresas da área da defesa cujo número vem a aumentar de ano para ano, e que têm um peso significativo no PIB português.

Se existe um motivo de preocupação e de contra-razões na diáspora portuguesa em África sobre o fornecimento de armamento a países africanos, na minha opinião, deveria haver idêntica preocupação por parte do executivo que o nosso ministro da Defesa Nacional integra e um esforço sublime para evitar a venda de armamento a África e concretizar a exortação feita por António Guterres, Secretário-Geral da ONU durante as celebrações do Dia Internacional da Paz, “ Moldar a Paz Juntos”.