Sim, é possível!

Talvez por eu pertencer à "peste grisalha" - foi assim que os "meninos" do Passos Coelho, na Assembleia da República, se referiram aos mais velhos - sigo a constatação de Raymond Aron, de que em todas as crises revolucionárias, depois da fase das barricadas e das ilusões idílicas, dá-se um regresso esmagador do "Partido da ordem".

O que levanta outro problema, cuja atenção chamou Sir Isarah Berlin, professor de Oxford: "são as Ideologias que devem submeter-se quando entram em contradição com a realidade humana. Pois, quando acontece o contrário, as ruas enchem-se de guilhotinas e de pelotões de fuzilamento, e começa o reinado dos censores" - que, em minha pobre opinião, já começou, com uns bem medíocres - "e dos polícias".

Inicio o escrito desta forma, porque uma das alternativas que se põem a médio prazo, é a do prolongar desta pandemia. Com efeitos sociais e económicos incomparavelmente muitíssimo mais desastrosos do que os actuais.

Nas nossas Democracias, temos a destruição da Ética. A par da ignorância emburguesada. Do facilitismo e da mediocratização escolares. Da vertigem egoísta do sucesso individual a qualquer preço. Da "informação" por "spots", sem reflexão e sem agentes capazes. Do Relativismo que destruiu Referências fundamentais para a sobrevivência colectiva. Da subordinação das Classes Médias ao "pensamento único" e ao "politicamente correcto", destruindo-Lhes o respectivo Estatuto e poder de Criatividade. Da confusão entre igualitarismo "puro e duro" e a Igualdade de Oportunidades e de Direitos, Liberdades e Garantias.

Ora, porque esta é a situação actual das Democracias nascidas das várias opções civilizacionais que o Cristianismo facultou, torna-se pertinente a dúvida sobre a resistência das Instituições constitucionalizadas nos nossos países, perante esta crise global sem precedentes.

Daí, algumas coisas que acima entendi lembrar!

Não quero cometer o pecado da omissão de, a tempo, não alertar para a necessidade de virmos prevendo novos projectos, medidas necessárias, perfis humanos capazes, porque a situação pode ficar muito feia.

Mais. Termos sempre prioritário que quaisquer mudanças imprescindíveis não têm a ver com o tropel partidocrata que hoje há por aí e, sobretudo, deverão manter sempre a Dignidade da Pessoa Humana, a defesa dos Seus Direitos, Liberdades e Garantias Fundamentais. Mesmo se tratando de tempos novos, de ainda impossível percepção plena.

Porém é já hora de pensar como organizar tudo isto, de maneira a se evitar qualquer retrocesso civilizacional. Manifestado em duas fases desgraçadas. Uma, primeira, em que o desespero toma de assalto e põe a saque a nossa organização de vida. Outra, depois, em que a angustiada necessidade de ordem pública, leva as populações sobreviventes a aceitar qualquer tipo de poder, ainda que totalitário, para tornar a disciplinar a sociedade.

Não estou a ser pessimista.

Estou a prever o cenário mais complicado, entre outras alternativas melhores, possíveis, mais optimistas.

Não estou a "entregar o ouro ao bandido" ou a dizer "acabou!"  Tanto que acho possível nos prepararmos rápida e serenamente, mesmo com as dificuldades actuais. Desde que se siga aquilo que entendo - e já o escrevi várias vezes - como política eficiente. A que consegue harmonizar e desenvolver simultaneamente a Liberdade, a Igualdade de Direitos, Deveres e Oportunidades, a Justiça Social e a Prosperidade.

Sim, se houver coragem para MUDANÇAS polítco-sociais nas nossas Democracias, isto É POSSÍVEL!

E é-o também no caso da Madeira, se não adiarmos mais o que sugeri ser necessário fazer com a Autonomia (Assembleia Legislativa da Madeira, Julho e "J.M.", Agosto).

Nem desisti, nem desisto, do que disse no Congresso Regional do PSD/Madeira, em 9 de Abril de 2011: "a Madeira só será livre quando hasteadas as cores azul e amarela no Palácio de São Lourenço".

 

Livrai-nos, Senhor!...

Post-Scriptum - O Dr. Paulo Cafôfo sabe eu responder quando me tocam. Sobre a utilização do quase bilião e meio de Fundos Europeus que diz virem para a Madeira - diz... - afirma-se contra "receitas do passado".

Ora, se é para uma política diferente da dos meus Governos - Investimento, Emprego, Desenvolvimento INTEGRAL - então já se percebe que será para borlas e subsídios, para comprar votos e nós a pagarmos os impostos!...

Livrai-nos, Senhor, destes Espíritos que andam no mundo para perdição das Almas!!...