A Estrada das Ginjas e os fundamentalistas

Eles são como o Inverno, voltam sempre!.

Um pequeno grupo de cidadãos, arrebanhados por ambientalistas fundamentalistas, juntou-se para manifestar-se contra o asfaltamento da Estrada das Ginjas, no concelho de S. Vicente, estrada que liga este concelho aos Estanquinhos, no Paul da Serra. Deste grupo faziam parte os mesmos indivíduos que também se haviam manifestado contra a asfaltagem da estrada que liga o Paul da Serra ao Fanal, na Ribeira da Janela. Na altura, publiquei um texto do mesmo teor deste, denunciando o fundamentalismo dos ambientalistas que se opunham à asfaltagem da dita estrada, mostrando à sociedade a vantagem que adviria para a população madeirense e para os turistas que nos visitam o dito revestimento. Hoje todos nós podemos apreciar a beleza da paisagem e o sossego da Natureza, que até à sua realização era apenas privilégio desses indivíduos, alguns deles proprietários de veículos todo-o-terreno capazes de galgar a lama e os sulcos de uma estrada em terra batida. Pretendiam manter esse lugar tão lindo como um feudo privativo, a que só eles pudessem ter acesso e aí permanecessem como quisessem sem serem incomodados, pois a circulação estava vedada ao ilhéu comum,  tentando impedir os madeirenses e aos que nos visitam, o privilégio de observar uma obra-prima da natureza, um dos lugares mais paradisíacos da Madeira, um lugar que é de todos nós e não apenas de alguns.

Os argumentos usados agora são exactamente iguais aos de então! Esta meia dúzia de “iluminados” ou pseudo-ambientalistas afirmava então que a estrada estragava a paisagem, que comprometia a natureza, que prejudicava o Parque Natural, etc, e hoje todos nós verificamos que esses argumentos eram falsos. Todas estas questões foram levantadas e outras mais, sem razão absolutamente nenhuma. Até porque, sabemos que, noutros concelhos da Madeira, existem estradas que atravessam o Parque Natural e nunca prejudicaram o ambiente.

Esta atitude fundamentalista radical parece-nos mais a passagem de um atestado de menoridade aos madeirenses, que sempre souberam preservar aquilo que é seu. Estes ambientalistas radicais aproveitam estas oportunidades para se promoverem e não para discutirem honestamente os problemas e reconhecer o que verdadeiramente interessa ao ambiente. Honestidade intelectual é reconhecer aquilo que é bem feito e criticar, construtivamente, aquilo que se pensa poder ser feito de melhor forma!

Perguntava eu na altura: “que credibilidade terão, eles, em futuras questões mais pertinentes?” Parecia adivinhar que eles voltariam!..

Defender o ambiente é, antes de mais, ser responsável pela qualidade de vida do mundo que nos rodeia, seja ele animal, vegetal ou mineral. Face a esta constatação, perguntamos: então, se é assim, sem que haja danos para qualquer um deles, porque não melhorar e harmonizar as condições de acesso e a fruição de espaços naturais como a zona das Ginjas, em vez de contestar? Utilizado com equilíbrio e responsabilidade, o acesso, através de uma estrada alcatroada, apenas poderá favorecer com dignidade as condições de vida das populações locais, assim como proporcionar ao cidadão comum momentos de lazer e de educação ambiental, que sendo cada vez mais raros nos dias que correm, tendem a ser, devido a alguns fundamentalismos, cada vez mais inatingíveis e apenas acessíveis a “quem de direito”.