Os mesmos erros do passado

Quem acompanha minimamente a política, tinha obrigatoriamente de dar alguma atenção ao que sairia do congresso socialista do passado fim de semana.

Não porque a expectativa fosse elevada. Mais pela diferença que faz entre ouvir de viva voz os protagonistas ou ler no dia seguinte o resumo.

Dei-me ao trabalho de acompanhar pela rádio o encerramento e não dei o tempo por perdido.

Um congresso cujo lema era a estranhíssima conjugação de duas frases “Com princípios/ Sem privilégios”.

Pareceu mais um recado interno para certas alas afastadas pelos novos senhores da situação ou então a necessidade de estes afirmarem algo que temem não lhes ser reconhecido.

Mas, adiante. Antes das palavras de encerramento, a rádio ia procurando preencher o tempo ouvindo congressistas. Foi suficientemente esclarecedor, quanto à unidade conseguida nas ostes socialistas, o que se conseguiu ouvir da boca do anterior secretário geral, João Pedro Vieira, do líder da JS e de Emanuel Câmara.

João Pedro, vereador na CMF, viu o congresso com tristeza, As palavras são do próprio. Porque o PS não aprendeu nada com os erros do passado. Porque afastaram pessoas válidas que rejuvenesciam o partido. Porque o convidaram para um lugar às quinze para as dez da noite, quando ele já estava a a ir-se embora.

Tudo isto foi dito pelo próprio. Mostra como os novos donos do PS tentaram remendar a “limpeza” feita.

O líder da JS, esse não se continha com a indignação de ver jovens ausentes dos órgãos do PS, quando ainda por cima um terço das intervenções no congresso tinham sido precisamente de jovens, que ( e nas suas palavras) agora dão o salto para o partido mas não vão ter voz onde intervir, porque não são reconhecidos nem pelo valor nem pelo trabalho.

Emanuel Câmara, em esforço evidente para lutar contra a sua vontade de falar e dizer coisas desagradáveis, referiu que não falava e que os analistas e os jornalistas que tirassem as suas conclusões.

Ora, esta amostra diz bem da forma “unida” e “coesa” como os socialistas saíram deste congresso.

Sobre as ideias do líder, para além de tratar por tu a Carlos César e a Vicente Jorge Silva (uma presunção que define logo o orador), duas coisas são incontornáveis.

A primeira é a de que a nova direção socialista concorda na íntegra com as orientações estratégicas do PSD-Madeira e do seu Governo.

Isto porque as cinco prioridades (que enumerou, mas foi incapaz de desenvolver uma que fosse com mais detalhe) são as que se podem ler no Programa de Desenvolvimento Económico e Social 2020-2030 que o Governo da Madeira aprovou e entregou no Parlamento.

Logo, os socialistas dizem-se alternativa para copiar o que está em curso.

A segunda ideia. Nas autárquicas de 2021, este líder do PS-Madeira ambiciona vencer as 4 câmaras onde os socialistas lideram e eleger mais autarcas.

Não estou a distorcer nada. Desafio a que me desmintam!

Ganhar em Machico, em Porto Moniz, na Ponta do Sol e em coligação no Funchal são a ambição máxima deste PS.

O mesmo é assumir que as suas candidaturas em Santana, no Porto Santo, São Vicente, Calheta, Ribeira Brava, Câmara de Lobos e Santa Cruz, serão apenas para eleger alguns nomes. Não se consideram capazes de apresentar projetos ganhadores na esmagadora maioria das autarquias da Madeira.

A verdade é que Paulo Cafôfo colocou a fasquia eleitoral do PS/Madeira no limiar mais baixo possível, para não ser acusado de falhar uma vez mais!