Não se iludam!

Quem me conhece pessoalmente, sabe que não sou pessimista. Mas também não me deslumbro com a facilidade programática dos optimismos.

Do que gosto, é "estar a pau".

Ninguém sabe quando terminará, ou sequer se reduzirá sensivelmente, esta situação globalizada de pandemia. Nem como e quando atribuir fiabilidade às anunciadas vacinas ou remédios.

Nem se vislumbra como decorrerão ou terminarão os esforços mais necessários para o mundo não parar e, psíquica e economicamente, trazer as pessoas à aproximação possível com a dureza das realidades.

Agindo muito bem para não criar alarmismo donde depois seja impossível recuperar, os Poderes públicos, de uma maneira geral, conseguiram até agora estabilizar e segurar as conjunturas político-sociais por esse mundo fora.

Mas vamos ao caso português.

Já nestes escritos me interroguei se, institucional e legislativamente, Portugal está em condições de enfrentar um agravamento resultante do prolongar demasiado da presente situação pandémica.

Não está. Nem institucional, nem legislativamente.

Apesar da constante propaganda política nos telejornais que os contribuintes pagam - a par da censura - o Estado português não tem leis, nem aparelho administrativo, nem altos titulares em cargos políticos decisores, capazes de enfrentar uma situação de crise económico-sanitária muito continuada no tempo.

Vejam como já anda a Disciplina Cívica, por aí!...

Ora, toda a gente sabe - ou teria obrigação de saber - que em qualquer País, principalmente se já de recursos e de Democracia débeis, como Portugal, uma situação de crise fortíssima e demorada, sem leis, instituições e dirigentes adequados, facilmente pode descambar numa instabilidade simultaneamente social, económica e política. Ao ponto de os Direitos, Liberdades e Garantias individuais, essência da Dignidade da Pessoa Humana e do regime democrático, poderem ficar ameaçados, ou mesmo comprometidos.

Lembram-se de 1974-1975?

Mas, então, ainda eram decisivamente relevantes Instituições da Nação Portuguesa, audíveis pelo Povo Soberano, capazes da mobilização e da intervenção que salvaram o regime democrático.

Hoje, por culpa das próprias, onde estão?...

Recentemente tivemos o folhetim "festa do avante".

Acho que só a referi uma vez. E já foi muito!

Porém, os Portugueses assistiram a uma propaganda, desde há décadas nunca mais vivida com tal intensidade, em benefício da organização comunista, o totalitário PCP.

E foi ver a tontaria generalizada da "classe política" e dos escribas seus émulos no culto do "ego", parecendo nada mais importante estar a acontecer naquela parcela de faixa litoral oeste da Península Ibérica!

Contando com o colaboracionismo de António Costa, hoje tema desprestigiante para Portugal na imprensa internacional, o PCP lançou um isco com certa habilidade e conseguiu os seus objectivos de mostrar força numa conjuntura nacional que, devido à pandemia, oxalá que não descambe numa crise portuguesa gravíssima.

Não quero ser catastrofista.

Mas, em qualquer um de nós, cidadãos, existe a obrigação de pensar o Interesse Nacional, o que é preciso fazer, o que tem de ser evitado, em suma, prepararmo-nos para operacionalizar em qualquer situação grave.

Inclusive a de isto descambar "revolucionariamente".

O que, aqui na Madeira, implicará uma preocupação prioritária de defender os Direitos, Liberdades e Garantias do Povo Madeirense, a Autonomia Política da Região e contribuir para uma Restauração Democrática em todo o País.