Quem é que haverá quem é que não acha?

Não pretendia tornar ao assunto. Mas nas circunstâncias correntes, em que se vai falando duma vila em crise, relevante será voltar à história que a fez Vila. Sim, porque ser Vila significa ser especial, ser diferente.

Então, vamos lá:

A 30 de julho de 1993, o PSD apresentou, na Assembleia Legislativa Regional, o projeto de elevação da Camacha à categoria de Vila.  Apreciado nas competentes Comissões Especializadas, com os pareceres necessários, subiu a plenário na Sessão nº 48, a 15 de julho de 1994.

Antes de me debruçar sucintamente no projeto, devo referir, como o fiz naquela sessão, que o deputado Filipe Mota, camacheiro de gema, com o seu espírito de iniciativa e bairrismo, pretendeu que a Camacha fosse vila, em 1981. A legislação e os equipamentos existentes, ou não existentes, não permitiam o sucesso dessa pretensão. Não era então viável tal objetivo, fique bem claro.  

Quando se verificaram as condições necessárias e o preenchimento dos itens imprescindíveis, exigidos pela legislação, para a elevação à categoria de Vila, o PSD apresentou, com toda a legitimidade e oportunidade, o projeto.

Lembro-me perfeitamente das circunstâncias e do local em que, na qualidade de deputado regional, nascido e residente na freguesia, eu coloquei a proposta ao presidente do partido, e dessa conversa surgiu o movimento de elevação de algumas freguesias à categoria de Vila.

Este projeto nasceu na altura certa, na oportunidade adequada, perante a constatação de novos factos e circunstâncias que, nos termos da lei, permitiam a sua apreciação. 26 anos depois, falar das circunstâncias da elevação a Vila pode e deve levar-nos à reflexão do merecimento da continuidade de tal categoria.

Seguindo o Decreto-Legislativo Regional 20/94/M, aprovado por unanimidade, na sessão nº 48 da Assembleia legislativa Regional, de 15.7.1994, lemos o seguinte:
«Na Região Autónoma da Madeira, a freguesia da Camacha vem-se destacando pela sua intensa atividade cultural, traduzida na existência de mais de uma dezena e meia de grupos de cariz tradicional e cultural, o que faz daquela povoação o mais importante polo da atividade cultural da Região.»

Depois de relevar o facto, de ter sido a sua Achada o primeiro local de futebol em Portugal, o diploma destaca os equipamentos coletivos que fundamentam a elevação a vila: «Um Centro de Saúde; duas farmácias; uma Casa do Povo fundada já em 1937; uma Associação Desportiva, com manifesta capacidade organizativa; uma empresa de transportes públicos coletivos; uma estação dos CTT; muitos estabelecimentos comerciais…; estabelecimento de ensino que ministra a escolaridade básica e obrigatória, desde 1993/94; duas agências bancárias; um posto policial e uma ambulância, ambos em serviço permanente; … revelando tudo isto elevado grau de desenvolvimento.»

Por unanimidade, a Camacha foi elevada à categoria de Vila!

Olhando a realidade atual, alguns itens que fundamentaram a subida, extinguiram-se, ou deslocalizaram-se.

Em compensação, oferece-se a renovação do Largo da Achada, um sonho antigo. Não fazer, porém, uma alargada discussão pública do projeto é pouco avisado.

Porque a Camacha é, prioritariamente, dos camacheiros.

E porque é dos camacheiros, será recomendável que, continuando a pressionar entidades governativas e autárquicas, para os apoios necessários, os seus residentes desbravem caminhos de progresso, que sempre a tornem digna e merecedora do título que há 26 anos conquistou: Vila da Camacha!