Em estado de anestesia

Passados os primeiros 6 meses da Covid.19, percebemos todos, que esta pandemia veio para ficar, e que não tem prazo final de validade.

Nos primeiros 3 meses, a maioria de nós ficou aprisionado em casa, e o confinamento das pessoas nas suas próprias casas obrigou o mercado imobiliário a repensar a habitação. A procura por espaços exteriores e locais de teletrabalho são o novo normal.

A verdade é que o imobiliário, tem conseguido lutar contra esta pandemia, e tem-se reinventado para manter o nível de procura e de transações. Após 2 meses de queda, março e abril, os meses que se seguiram foram meses de crescimento.

Mas será que o mercado vai aguentar-se assim por muito mais tempo? A análise que faço, é que estamos a viver sobre um estado de anestesia geral, se por um lado temos um forte apoio do governo regional e das autarquias, aos empresários, aos seus colaboradores e famílias, não é menos verdade que essa fonte, não é eterna, e que dificilmente estes apoios, poderão ser mantidos por muito mais tempo.

A banca com as moratórias, tem também sido uma forte aliada das empresas e das famílias, mas em março do próximo ano o que vai acontecer? Quando as empresas voltarem a ter estes encargos financeiros, e não tiverem receitas para manter a estrutura de custos, o mais provável será a necessidade de despedimento, e as famílias, no próximo ano, quando tiverem de iniciar os pagamentos dos seus créditos, o que vão fazer se a economia não melhorar, e estiverem em situação de desemprego?

Em 2021, podemos vir a ter a tempestade perfeita, e uma crise económica e principalmente social sem precedentes.

E por onde anda a solidariedade nacional? Onde estão os valores Europeus? Uma região insular, ultraperiférica com é a Madeira, sempre precisou da solidariedade da sua Pátria Portugal, e do aconchego da mãe Europa, mas a verdade é que hoje, sentimo-nos mais sós e abandonados que nunca.

É urgente que a Europa pense em todos, trabalhe e lute por todos, que se consiga de uma vez por todas os apoios financeiros para todos os países europeus, que os que menos têm, sejam mais ajudados, os que mais precisem sejam olhados com a devida solidariedade, e que Portugal, olhe também para todas as suas regiões, não pela cor politica, mas de igual, com a equidade e a justiça devidas.

É urgente que a Europa tome medidas de apoio ao principal setor da economia europeia, que é o turismo, não podemos continuar a viver neste silêncio, e nesta falta de medidas concretas, para salvar este setor vital para a economia europeia, e para regiões como a Madeira que são profundamente dependentes do turismo.

A Madeira precisa ir atrás de outras alternativas de turismo, de economia, e para isso é preciso diversificar os seus setores produtivos.

No meu último artigo falei da importância de nos virarmos para a indústria transformadora do pescado e dos produtos agrícolas, temos condições únicas, para podermos atrair investidores destes setores, e podermos tornar-nos num dos principais exportadores europeus de conservas de pescado.

Hoje trago uma outra sugestão, para a indústria da saúde e bem-estar.

A Madeira pode ser bem o refúgio pós-Covid para os seniores.

A Madeira precisa conseguir atrair seniores estrangeiros através do programa de Residentes Não Habituais (RNH) que lhes confere isenção fiscal nas suas pensões. Mas mais que isto é preciso criar condições de imobiliário propícias a que estes seniores venham viver para a Madeira, criando o segmento imobiliário das residências seniores.

O baixo número de casos Covid, e felizmente a inexistência de nenhum óbito, têm de ser bem promovidos no exterior, para atrair este segmento de clientes e de mercado.

É necessário criar condições para que investidores queiram realizar este tipo de investimento na Madeira, que vão criar riqueza, diversificar o risco na concentração de apenas uma grande fonte de receitas, e assim podermos mais facilmente ultrapassar estes momentos de dificuldade económica e social.

A Madeira tem todas as condições para se tornar a número um da Europa e do Mundo para se viver no pós reforma.