Imagine

O início do ano letivo é por norma um tempo de enorme azáfama nas diversas comunidades escolares, este ano não é diferente. Associado ao trabalho regular, temos de adicionar a planificação de diversos cenários para enfrentar a pandemia por parte da escola, dando segurança e tranquilidade às famílias.

No decorrer desta onda de cenários e enquanto pesquisava música para atividades motivacionais, surge-me a intemporal composição de John Lennon “Imagine”. Entre esta música e as notícias que vou auscultando ao longe na TV, sobre a problemática do regresso às aulas nas escolas do continente. Solta-se-me a imaginação para elaborar algumas comparações. Perdoem-me o atrevimento de utilizar o título da composição de Lennon, mas afigura-se-me oportuno.

“Imagine” o início do ano letivo, no continente, com todos os alunos de 2.º ciclo equipados com tablets e manuais digitais, reduzindo o peso das mochilas e permitindo o contacto com tecnologias, que caso haja uma segunda vaga da pandemia, permitirão facilmente continuar as atividades escolares a partir de casa. Tal como acontece na Madeira.

“Imagine” o início do ano letivo, no continente, com todos os docentes e funcionários das escolas com teste à COVID-19 realizados, todas as escolas com planos de contingência, regras de segurança e materiais necessários à proteção das comunidades escolares. Tal como acontece na Madeira.

“Imagine” o início do ano letivo, no continente, com o processo de colocação dos professores do quadro de zona pedagógica finalizado em agosto e o processo de contratação em fase de conclusão. Para que o ano comece de forma tranquila. Tal como acontece na Madeira.

“Imagine” se tudo isto fosse no continente, o alarido que não faria o primeiro ministro multiplicando-se em entrevistas e num périplo pelas escolas continentais para jornalista ver. Teríamos o presidente da república, qual “beta tester”, a fazer um teste de esforço à tecnologia e garantindo uma selfie a cada aluno.

“Imagine” agora o porquê deste silêncio sepulcral que vai pelo retângulo? Porque a Madeira é pioneira em muitas áreas. Porque a Madeira não alinha em intelectualismos de esquerda “Kitch” com pretensos discursos do faz de conta. Porque na Madeira as coisas acontecem. É assim na educação, é assim nas medidas de controlo da pandemia, é assim em muitos outros setores.

“Imagine” o que devemos fazer quando o primeiro ministro aparecer para um arroz de lapas na costa norte ou o presidente da república se desdobrar em selfies e lambecas no Porto Santo. Não, não devemos brindá-los com o nosso silêncio! Provavelmente, gritar bem alto, BASTA! Não somos portugueses de segunda.