Duna 1956, Parte II

Em Novembro deste ano chegará aos cinemas o primeiro filme de uma das maiores obras literárias de sempre da ficção científica: Duna, do escritor estadunidense Frank Patrick Herbert (1920 - 1986).

Ainda que a toda uma saga de ópera espacial possa não ser do interesse da geral da população e leitores do JM-Madeira, o escritor, como aqui já referido anteriormente, transmitiu por via do seu legado literário, “quiçá, a melhor aula de ciência política de sempre ao eleitorado dos tempos modernos”.

Passados quase dois anos desde o meu último artigo sobre a obra e o seu escritor, a propósito de um ciclo eleitoral que se avizinhava, convido-vos, uma vez mais, a debruçar sobre algumas das passagens do autor tendo em conta o novo ciclo eleitoral (Eleições Presidenciais), que se avizinha:

Lição 1: “O bom governo nunca depende de leis, mas das qualidades pessoais daqueles que governam. A máquina do governo está sempre subordinada à vontade daqueles que a administram. O elemento mais importante do governo, portanto, é o método de escolha dos líderes.”

Lição 2: “Os governos só podem ser úteis aos governados enquanto as tendências inerentes à tirania forem contidas.”

Lição 3: “A burocracia destrói a iniciativa. Há pouco que os burocratas odeiem mais do que inovação, especialmente inovação que produz melhores resultados do que as velhas rotinas. As melhorias sempre fazem os que estão no topo da pirâmide parecerem ineptos. Quem gosta de parecer inepto?”

Lição 4: “O poder tende a isolar aqueles que o detêm em demasia. Eventualmente, eles perdem contato com a realidade ... e caem.”

No momento em que exercermos o nosso dever de voto em Janeiro é importante considerar as lições acima deixadas por Herbert na sua obra literária. É importante agir consciente e racionalmente face aos políticos, aos discursos que estes apresentam (ou às ideias que nos ocultam), e à forma como os mesmos pretendem solucionar os problemas através da engrenagem da qual todos nós fazemos parte: o Estado. Nas Presidenciais de Janeiro estará em jogo não só a solidez da Democracia portuguesa, mas também a manutenção da própria Autonomia Político-Administrativa da Região Autónoma da Madeira nos atuais moldes (se considerarmos a participação de candidatos como André Ventura e Ana Gomes).

Que as lições de Herbert sirvam de “food for thought” (alimento para o pensamento), enquanto nós Madeirenses e Portossantenses não tivermos o nosso próprio Chefe de Estado.