Ir mais além - Funchal, Capital Europeia da Cultura 2027

Anunciámos no Dia da Cidade, 21 de agosto, que o Funchal será candidato a Capital Europeia da Cultura 2027. Já estão na corrida 9 cidades portuguesas: Viana do Castelo, Leiria, Braga, Évora, Coimbra, Aveiro, Guarda, Faro e Oeiras. Seremos a 10ª a posicionar-se nesta corrida.

Não é isso que nos vai tolher os movimentos ou condicionar a ação e a vontade. Seremos a única cidade localizada num território ilhéu, distante dos meios de decisão continentais portugueses e europeus. Estamos convictos de que, seja qual for o resultado deste processo, nunca teremos nada a perder. Só a ganhar. E isso entusiasma-nos.

Temos aqui a enorme oportunidade de projetar a nível regional, nacional e internacional uma visão e um trabalho estrutural cultural para a próxima década que ajudará a desenvolver a cidade em termos artísticos, patrimoniais, culturais, sociais e económicos. Pretendemos que esta candidatura ajude a reforçar uma estratégia cultural que já iniciámos em 2013, que aposta na promoção de um diálogo profundo com as nossas raízes, inserido nas dinâmicas locais de investigação, criação e produção artística, sem nunca esquecer a importância do intercâmbio com o exterior.

Em termos conceptuais esta candidatura não surge desligada do nosso projeto para a cidade, que julgamos coerente e sustentado. Não é uma ação pontual, casuística ou reativa. Antes pelo contrário. É conceptualmente alinhada com a visão que desde 2013 temos trabalhado no Funchal.

Se se prestar atenção ao que temos feito, repararão que sempre tentámos abrir portas à participação das pessoas na gestão da sua cidade, para que a sintam como sua. Em muitas áreas. Criámos vários instrumentos concretos que abrem essa possibilidade, desde os 6 anos até à idade que se quiser. A Cultura não é uma exceção. Atualmente temos em prática a iniciativa “Funchal Cultura 2030” que servirá como base de trabalho para a elaboração de uma estratégia cultural para a próxima década. Estamos a ouvir a comunidade artística visível e invisível, a registar os alertas, as dificuldades e as sugestões de futuro para que as pessoas sintam a estratégia como sua e dela se apropriem. Temos trabalhado com as diferentes comunidades, ambicionando construir uma política cultural que invista num pensamento diverso e questionador, que contribua para o reforço do espírito crítico individual e coletivo, para o empoderamento pessoal e comunitário, para o envolvimento pessoal e coletivo na ação cultural e política, apostando sempre em algo quase utópico que é o centrar da ação política no reforço da cidadania. Nunca quisemos cair na tentação de estabelecer uma política municipal que promova o pensamento homogéneo ou que sirva como forma de criar mecanismos de controlo. Pelo contrário. Respeitar as diferenças e as diversas opiniões enriquece o nosso território e desenvolve-o, preparando-o para enfrentar em conjunto situações inesperadas, tentando nunca deixar ninguém para trás.

Achamos que só assim se consegue defender a democracia, numa época em que ela exige de cada um ou de cada uma de nós comprometimento, reflexão e coragem.