Preconceito e discriminação!

De punho no ar e placares ao alto, milhares de pessoas têm saído à rua como sinal de protesto contra a discriminação, a exclusão e o racismo, não apenas em Portugal, como em outros países. Tudo terá começado com uma vaga de protestos nos Estados Unidos, derivado ao homicídio do afro-americano George Floyd. O que é certo, é que o Black Lives Matter se espalhou um pouco por todo o mundo. Centenas de manifestações e protestos têm sido uma constante nestes últimos meses, e a causa é clara: fim da impunidade contra a discriminação racial.

A questão do racismo ampliou em Portugal quando o ator Bruno Candé foi assassinado em plena luz do dia na Avenida de Moscavide. Ninguém pode garantir que a razão pelo assassinado de Candé fosse a cor da pele. Mas há quem garanta que sim.

Sim, discriminação e o preconceito existem, quer queiramos quer não. Contudo, a mesma é censurável: na própria Constituição Portuguesa, no princípio da igualdade, indica que todo o cidadão tem a mesma dignidade social, não podendo ser privado de qualquer direito ou dever devido ao género, raça, religião, orientação sexual ou outros.

Na teoria, não somos um país racista. Mas na prática, não há dúvida de que ainda existe discriminação em Portugal. Varrer o tema para debaixo do tapete tem sido a prática persistente, para evitar o confronto com a nossa incapacidade de integrar portugueses negros. As condenações que envolvem motivação racial são muito escassas na Justiça portuguesa. Em Portugal, um racista praticamente só é condenado se assassinar um negro nas ruas de Lisboa, sendo notório o seu ódio racial, ficando sempre por apurar as respetivas circunstâncias.

Relembro: um dos mais nobres desígnios da democracia é garantir os direitos individuais e a superação das discriminações injustas, referents a status, raça, género, sexualidade, entre outros. Cabe a nós o direito e a responsabilidade de pôr fim a esta grave discriminação, visível a todos nós. Por mais pequenos que possam parecer, os insultos, as agressões, os comentários, os discursos de ódio, não podem ser aceitáveis. A experiência do insulto, da violência, da exclusão, recai em todos aqueles que nos rodeiam, pessoas de todas as classes sociais, ricas e pobres, do campo e da cidade, jovens e idosas, conservadores ou liberais, que esperam de nós um gesto de reconhecimento!

E porque luto contra a discriminação, digo NÃO ao PRECONTEIO! DIGO NÃO AO RACISMO! Porque nenhum de nós será livre de usufruir dos seus direitos enquanto estes forem negados ao seu próximo! E porque o valor da democracia se mede também pela sua capacidade de proteger as minorias e de recusar qualquer imposição baseada em discriminação, racismo e preconceito, mesmo que sejam maioritários, lutemos por uma sociedade que aceita a diferença e defende os direitos individuais e coletivos!