O anúncio de uma golpada!

Depois das notícias que dão conta dos resultados conseguidos quanto às perspetivas financeiras para o período 2021-2027, está em marcha uma ação de propaganda perfeita.

Conjuntamente com o que será a repartição de recursos financeiros da União Europeia para esse período, no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual, os responsáveis políticos da União também se colocaram de acordo quanto a um outro importantíssimo conjunto de recursos financeiros a que foi dado o nome de “Plano de Recuperação”.

Este Plano, nomeadamente através do mecanismo de recuperação e resiliência, que funcionará a par do Quadro Financeiro Plurianual mas que não é a mesma coisa, tem a particularidade de vir a prestar apoio financeiro em larga escala às reformas e aos investimentos realizados pelos Estados-Membros, com o objetivo de atenuar o impacto económico e social da pandemia de coronavírus e tornar as economias da UE mais sustentáveis, resilientes e mais bem preparadas para os desafios colocados pelas transições ecológica e digital.

Cabe agora ao Governo português tomar a decisão sobre onde gastar os muitos Milhões de euros que o país terá ao seu dispor entre 2020 e 2026, para dar resposta à crise gerada pelo COVID-19.

E o que vemos? O início da propaganda de forma descarada e com todas as letras.

Baste ler a notícia deste fim de semana no semanário Expresso, onde tudo já começou.

O Ministro do Planeamento, Nelson Sousa, explica com todas as letras que o Governo de Portugal será quem tomará as decisões sobre para onde irá esse dinheiro. Logo, será possível favorecer Lisboa.

Pode ler-se que “estes novos subsídios não precisam de ser canalizados para as regiões menos desenvolvidas do país (…) Nada impede o Governo de privilegiar a região com maior produto interno bruto”. O artigo continua dizendo que já desde o fenómeno dos coletes amarelos, o Governo de Portugal sempre procurou maneira de descobrir como conseguir dar mais dinheiro à região mais rica do país.

O Fundo de recuperação que Bruxelas aprovou tem por objetivo apoiar as regiões mais afetadas com esta crise, mas o Governo de Portugal procura, isso sim, a forma de dar mais à mais rica.

A propaganda está feita de modo tão descarado que o artigo até segue com o exemplo de uma comparação dos valores recebidos (no primeiro trimestre deste ano) por cada cidadão de Lisboa, em contraponto com o recebido por portugueses dos Açores, da Madeira, Alentejo, Centro, Norte e Algarve. Olhando até da pena. Lisboa é apresentada como discriminada!

Em suma. Sem vergonha e sem o mínimo decoro, os socialistas preparam-se para fazer a sua festa do centralismo: dinheiro a rodos para Lisboa, como nunca foi possível até aqui. Resta lembrar um facto. A capital tem vindo a receber menos fundos europeus uma vez que é a mais rica e aquelas verbas têm precisamente por objetivo apoiar as menos ricas, procurando promover a coesão económica e social e TERRITORIAL!

O plano ainda não está acabado. Ainda vai ser apresentado por Portugal em Bruxelas.

O dinheiro destinado a apoiar as regiões mais impactadas pela crise é apresentado na notícia como podendo financiar, a fundo perdido, investimentos que os tradicionais fundos comunitários não costumam pagar à região mais rica do país.

Sem qualquer vergonha, já diz o governo de António Costa que o dinheiro vai para Lisboa.