Toma conta de mim

"A Tempestade há-de passar, … A Tempestade há-de passar"

Tal como a música do nosso “Pedro Abrunhosa”, não podemos fingir que a tempestade COVID19 passou e tudo voltará a ser como antes! Toda esta situação continuará a ter um impacto negativo na vida das pessoas e sobretudo na saúde mental dos adultos, jovens e crianças.

As mudanças sucessivas e repentinas impostas, de um dia para outro, pela pandemia gerou muito stress e incerteza na nossa população. Tal como aconteceu em outras situações de crise e/ou catástrofes naturais, o sentido de cooperação e humanidade, veio ao de cima. Preservou-se a interajuda e o espírito solidário na forma como se olha o OUTRO.

Para uns, a mudança gerou resiliência (capacidade para se adaptar perante fatores e condições adversas que nos impõe a vida) e acabaram por se adaptar ao “novo normal”. Ainda bem, que assim foi para a maioria das pessoas, mas ao olharmos para o todo, encontramos aqueles a quem a pandemia colocou desafios maiores e com as quais dificuldades em lidar. As pessoas são diferentes, com histórias de vida únicas, com formas de lidar específicas às suas condições de vida. Esta pandemia trouxe consequências e riscos significativos para a saúde mental de muitas pessoas que sofrem, direta ou indiretamente, e que se encontram em situações de risco, que é preciso identificar e orientar. Problemas de ansiedade, depressão, pânico, consumos de álcool e drogas surgem, dia após dia, e assistimos ao agravamento das patologias preexistentes de doença mental.

 

“E há-de haver quem nos queira salvar. Somos destino, Donos deste lugar. Não é o fim!”

A crise económica, que se instalou, colocou as nossas famílias com dificuldades acrescidas, mais vulneráveis a problemas de saúde mental, pois colocou-as, num ápice, com ordenados reduzidos, sem empregos, empresas que não faturam.  Medos, ansiedades e desesperança que se acumulam.

Nunca foi tão importante dar valor e recompensar o trabalho dos profissionais de saúde mental que diariamente têm ajudado a população a manter-se minimamente estável e com sentido de esperança.

É importante, para nós profissionais de saúde mental, concentrarmo-nos na resiliência e no desenvolvimento de medidas de promoção do bem-estar e prevenção do desajustamento socio emocional das pessoas.

 

“E uns gritam. E outros dizem. Toma conta de mim…Estamos longe do fim…Toma conta de mim”

Apelo, ao sentido de comunidade, à calma e à esperança nas relações que estabelecemos com os outros, porque só assim conseguiremos ajudar o outro, a adaptar-se à mudança que fomos obrigados a fazer.

Enquanto profissional de saúde mental, sei que a pandemia está longe de acabar, apenas tem vindo a transformar-se e é importante atender aos que sofrem de uma perturbação psicológica/psiquiátrica ou aqueles que se sentem particularmente vulneráveis e sensíveis nestes tempos e procure ajudar a pessoa a se ajustar minimamente à realidade atual.

Por isso…em era de COVID, procure ser:

Empático, compreenda os sentimentos da pessoa e promova comportamentos tranquilizantes e seguros;

Atento ao avaliar o surgimento de sintomas ou o agravamento da sua história clínica;

Compreensivo em normalizar a angústia, o medo, a raiva, a ansiedade, a culpa. Pois faz parte sentirmos estas emoções em situações de crise. Fomentar as circunstâncias do momento e que sirvam de alavancas para novos desafios, para a vida pessoal e profissional;

Atento ao consumo de álcool e outras substâncias e sugira estratégias de contenção;

O “Controlador” da Internet e do consumo excessivo de notícias negativas e proponha limites na sua utilização;

O “Personal Trainer”, propondo hábitos equilibrados na alimentação e exercício físico, bem como a ocupação dos tempos livres com atividades que promovam o bem-estar;

Aquela Pessoa que não olha o outro com indiferença e que nada tem a ver com os seus problemas. Afinal “Estamos longe do fim.... Toma conta de mim”, porque, hoje são ELES a precisar, amanhã seremos NÓS!