Com Pés e Cabeça

Quantas vezes, ao crescer, ouvimos a expressão com pés e cabeça?

Governar em tempos de pandemia não é tarefa fácil. Muito longe disso. Mas os cidadãos ao exercer o seu direito cívico de voto, confiaram que iriam ser governados com pés e cabeça. É o mínimo que se espera, é o mínimo que se pede. Que se construam soluções que deem resposta ao maior desafio das últimas décadas.

É preciso um extraordinário equilíbrio entre o combate à epidemia, e a garantia de continuidade das condições socioeconómicas. Mesmo em pandemia, a vida não pára.

Este equilíbrio está a ser trabalhado com afinco nas instituições europeias, com todos os seus intervenientes. A curto prazo, na resposta às exigências da pandemia e das suas consequências. A médio e a longo prazo, na recuperação económica aliada à transição digital e de acordo com as linhas do Pacto Ecológico Europeu. Tornar o modus operandis compatível com a vida no único planeta habitável, de que temos conhecimento. A nossa casa.

Este um trabalho deveras exigente, difícil e muito extenuante. Mas essencial. A articulação entre todos os intervenientes, fazer política voltada para os cidadãos e que assuma um compromisso com a sociedade civil, que não deixe ninguém para trás.
Infelizmente, não posso escrever o mesmo da nossa Pérola do Atlântico. Por cá, a culpa é sempre dos outros. Mas o que vemos, é uma total falta de rumo e de planeamento. E está a falhar redondamente.

O caminho é em frente e urge uma resposta com pés e cabeça:

A curto prazo – proporcionalidade. Medidas proporcionais à situação epidemiológica regional. Informação e comunicação clara e precisa, sobre as diferentes medidas e sobre como deve a população atuar. Fundamental em comunicação não apenas em saúde, mas comunicação em crises.

A médio prazo – mitigar as consequências daquela que é a mais grave crise sanitária, social e económica. Não deixar ninguém para trás. E acima de tudo, perceber que há mais doenças e necessidades além do COVID-19.

A longo prazo – a recuperação. Porque somos um pequeno paraíso, e temos muito para oferecer. A reconstrução tem de ser resiliente, sustentável e alinhada com os objetivos do desenvolvimento sustentável, com o pacto ecológico europeu e aproveitando a bazuca que aí vem.

Todas estas respostas carecem de coordenação clara e cooperação entre todos os intervenientes. Contar com todos, não apenas com os que estão no poder. Somos todos madeirenses e queremos o melhor para a nossa região. É altura de governar com pés e cabeça.