Responder sem comprometer

Se há uma certeza neste momento que nos está a ser dado a viver, é que seja qual for a realidade que se irá impor depois da pandemia, ela será necessariamente diversa e os desafios a ela associados serão imensos.

Esta certeza não se consubstancia apenas numa espécie de futurologia sem enquadramento real. É que este futuro que tentamos antever é, em muitos sentidos, um presente que já nos interroga e interpela.

O que esta pandemia provocou de imediato foi um adequar de medidas, um ajustar de prioridades e uma resposta a novos problemas e desafios, que tiveram de responder a uma necessidade de celeridade, mas também a uma racionalidade que não colocasse em causa os projetos estruturantes para o futuro.

Na Câmara Municipal de Santa Cruz fizemos ajustes aos nossos programas e agenda, não só tendo em linha de conta a vertente de defesa da saúde pública, daí o cancelamento de muitas das nossas iniciativas, como o Santa Faz, a Festa da Flor, entre outras. Mas, além da saúde pública, os ajustes feitos tiverem o mérito de nos permitir acudir a necessidades novas que surgiram de um mês para o outro. No topo destas necessidades estão, sem dúvida, as dificuldades das famílias que perderam rendimento ou mesmo o posto de trabalho.

A estas famílias coube à autarquia responder de forma eficaz através da ajuda direta que se consubstanciou, em grande medida, na distribuição mensal de cabazes alimentares, que já chegam a mais de 700 agregados familiares. Mas que implicou também o reforço de muitos dos nossos programas sociais de apoio em áreas cruciais como a saúde e a educação.

O grande desafio para o futuro é a necessidade de manter estas ajudas, não deixando cair o plano de desenvolvimento em curso para o concelho.

Alicerçados nos bons resultados e nas boas práticas financeiras que temos levado a cabo desde que assumimos a gestão da política autárquica em Santa Cruz, estamos a conseguir conjugar as medidas extraordinárias que esta pandemia nos exigiu com o nosso plano estrutural de intervenção em áreas cruciais, como o são a iluminação pública, o combate às perdas de água e a recuperação dos nossos centros urbanos e da nossa rede viária. E, felizmente, estamos a conseguir tudo isto devido ao muito que já recuperamos e que nos permite também ter margem para recorrer ao endividamento controlado e responsável.

Nos próximos meses, a quase totalidade das obras previstas vão a concurso e estarão no terreno.

Permitam-me, neste contexto, realçar o importante investimento que já está a decorrer no combate às perdas de água na nossa rede.

O Projeto de Execução da Diminuição de Perdas no Sistema Distribuidor de Água Potável do Concelho de Santa Cruz é um investimento comparticipado pelo POSEUR em 85%, sendo os restantes 15% responsabilidade do Município.

Em curso está já a zona piloto de Gaula, a renovação das redes do Garajau e da Terça, sendo que serão iniciadas em breve a renovação de redes nos Barreiros e a instrumentação nos reservatórios. Em 2019, já havia sido instalado o Centro de Comando e Telecontagem dos grandes consumidores.

O trabalho que vai prosseguir terá intervenções em todas as freguesias, num total de 490 km de rede e num investimento que ronda os 15 milhões de euros, que se vêm juntar aos 2,3 milhões de euros já em execução.

Recordo que este e outros projetos são o resultado de uma política de transparência e de rigor, e sobretudo o resultado de uma política atenta às pessoas e capaz de delinear um programa que visa recuperar décadas de atraso infraestrutural no concelho de Santa Cruz.

Todos antevemos que o futuro que nos espera, no pós-pandemia, não será fácil, mas acredito que com a cultura de trabalho que nos caracteriza, com a responsabilidade que é a nossa principal marca política, e com o apoio da população que tem sabido compreender, estaremos aptos a continuar a responder aos desafios inesperados, sem que com isso tenhamos de comprometer, no essencial, o caminho que traçamos.