A reputação importa?

1. Ficou claro para toda a gente que a diplomacia portuguesa não consegue explicar a Londres as diferenças entre os diferentes territórios do país.

Uma vez mais, sem muitas surpresas, o governo britânico libertou uma nova lista de “limpos” e nesses Portugal é um nome que não consta.

Consequência imediata?

A Madeira, com todo o seu esforço de identificação, acompanhamento e controlo dos passageiros que entram nos nossos aeroportos, é considerada igual a Lisboa ou Porto onde pouco mais que nada é feito.

Consequência mais duradoura?

São milhares de potenciais visitantes a uma Região que tem no Turismo 26% da sua economia – que deixaram de vir, continuam desincentivados a vir e que ficam com a ideia errada de que Lisboa ou Funchal são locais de perigosa e desaconselhável visita.


2. O problema da reputação está diretamente relacionado com a perceção que a opinião pública tem, da coerência entre as coisas que são ditas e a prática.

Essa reputação percebida é quase sempre mais forte do que todas as boas explicações que sejam dadas.

Vem isto a propósito de ter sido determinado pelo Governo de Portugal que a partir de 1 de julho, apenas teriam lugar voos considerados essenciais (como regresso de residentes, trabalho, estudo, saúde e razões humanitárias), para ou vindos de países como o Brasil, os Estados Unidos e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Mesmo assim, os passageiros com origem nestes países terão de apresentar um teste negativo à covid-19 realizado nas 72 horas anteriores.

Este domingo foi confrangedor ver duas notícias consecutivas na RTP.

Uma dava conta da chegada de um avião vindo de Maputo, cheio, com cidadãos nacionais e não nacionais, que tentavam – alguns deles – chegar a Portugal desde março.

Tudo situações atendíveis e com justificação.

A reportagem dava conta dessa chegada, onde a ausência de teste, a não solicitação da realização do mesmo ou qualquer outra especificidade relacionada com o covid-19 tinha sido a palavra de ordem, por parte das autoridades. Ninguém perguntou nada!

A reportagem seguinte correspondia ao Ministro da Administração Interna a falar à imprensa sobre os incêndios desse domingo.

Quando questionado pela RTP sobre o sucedido no aeroporto de Lisboa, disse textualmente “…nos voos humanitários, qualificados como tal pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pela ANAC, as pessoas são obrigadas a teste, ao chegarem a território nacional; é essa a notificação que lhes é feita e a alternativa é não existirem esses voos…”.

Mas entre estas palavras do membro do Governo e o que acabava de suceder no aeroporto da capital portuguesa distavam o dia e a noite.

Que opinião formularia na sua cabeça, sobre as autoridades de um país, se tivesse assistido a estas duas notícias?

Sim. A reputação importa!