Uma época igual à passada

Acabou no passado domingo a temporada mais longa da Liga NOS. O F.C. Porto sagrou-se campeão, e parabéns aos vencedores pese embora seja estranho congratular algum clube nesta altura do ano, mais propícia aos vencedores do Troféu do Guadiana, Taça da Amizade e por aí fora. Mas cá fica a congratulação a quem devida ou indevidamente – deixo isso para os estarolas discutirem - terminou a época no primeiro lugar.

Posto isto, vamos ao que (me) interessa, ou ao que pelo menos devia de interessar à maioria da Região, nem que seja por rivalidade, o percurso do ‘maior das ilhas’ na Liga NOS 2019/20.

A época começou com um novo ‘vice’ homem do leme. Nuno Manta Santos substituiu Petit após este ter falhado o objetivo declarado - só depois de conquistada a permanência… - dos 40 pontos. Manta Santos apresentou-se logo com um currículo invejável: uma passagem pelo Feirense durante a qual ajudou a consolidar a formação de Santa Maria da Feira na I divisão, em 89 jogos pelo conjunto da Feira obteve 29 triunfos, 20 empates e 40 derrotas, que contribuíram para um 8º lugar na época de estreia, um 16º na seguinte e posteriormente uma ‘chicotada’ na derradeira temporada. Foi este o homem escolhido para liderar o Marítimo na Liga NOS que marcava a 40ª participação do clube na divisão maior do futebol português e para a qual o objetivo seria, no mínimo, uma época mais tranquila. Após a experiência Cláudio Braga, os adeptos verde-rubros esperariam no mínimo isso.

Os reforços vieram, como sempre cirúrgicos e com créditos firmados, entre os quais um tal Nequecaur. Chegou também o tão ansiado ‘maestro’ Jhon Cley e os alas desequilibradores Marcelinho e Erivaldo. Entretanto do país do sol nascente veio a nova coqueluche do universo maritimista, Daizen Maeda. Destes todos mencionados apenas um fazia parte do plantel que terminou a época. Mas também vieram Kerkez e Bambock, para as posições tão carenciadas de defesa central e meio-campo.

Mas nem tudo era mau. Na primeira jornada o Marítimo de Manta Santos empatou, em casa, com o crónico candidato ao terceiro lugar Sporting C.P, seguiram-se dois deslizes diante das formações poderosas do Aves e do Tondela, mas uma vitória fora ante do Paços de Ferreira acalmava o ‘Caldeirão’ que viria a ferver de raiva logo de seguida diante do poderoso Belenenses SAD. A situação não melhorou muito até ao empate frente ao Portimonense, em casa, que ditou o afastamento de mais um treinador da ‘era Carlos Pereira’ – é uma era grande e é normal (?) que já tenham passado pelo banco 24 (!). Pelo meio houve a já habitual humilhação na Taça de Portugal, desta vez aos pés do Beira-Mar.

E assim chegamos a José Gomes. O primeiro encontro não correu bem, uma derrota na Luz e o antepenúltimo lugar na tabela. Seguiu-se um período de 6 jogos sem perder e alguma estabilidade na classificação. Derrota em Alvalade e em casa frente à equipa sensação da Liga, o Aves, fez com que a situação tremesse mais um pouco. Para piorar, antes do fecho temporário da competição o Marítimo contava com três derrotas consecutivas.

Na retoma o Marítimo apresentou-se com um futebol mais solto e apelativo, exceção feita ao jogo em Portimão. O ressurgimento do futebol verde-rubro deverá estar ligado com algo que também aconteceu na temporada transata - a mesma que teve um treinador desconhecido no início da época que acabou substituído por outro de modo a salvar a equipa –, um filme que começa a ser repetido, a entrada do inexplicável mal amado Rodrigo Pinho, do miúdo Pedro Pelágio e de Fábio China, que passaram a maioria da época amarrados ao banco.

E com o final da temporada vieram as declarações do querido líder em relação à continuidade de José Gomes, “tem mais um ano de contrato e vai manter-se”, rapidamente acrescentando “o futebol tem surpresas”. E eu, enquanto adepto do Marítimo, já estou cansado destas surpresas de Cláudio Braga e Nuno Manta Santos.