Combater os efeitos do Covid-19 com Inovação

Entre os povos do planeta fica para a História que 2020 é o ano que veio mudar as nossas vidas.

Na realidade, no espaço curto de poucos meses o mundo deparou-se com algo para o qual não estava preparado, apesar de a Humanidade já ter passado por inúmeras provações, fomes, guerras, doença.

A pandemia provocada pelo coronavírus (Covid-19) mudou rápida e drasticamente o quotidiano de quase todos, com mais da metade da população mundial confinada. A recessão económica mais grave, em quase um século, e o colapso da atividade económica de 20 a 30% em alguns países.  Recordes de desemprego perto dos 20%  e sistemas de saúde à beira do colapso com centenas de milhares de mortes.

Os Governos, apanhados neste turbilhão, estão ainda a tentar lidar com o caos e as suas consequências.

Uma vez mais, não obstante a adversidade e os sentimentos de solidariedade, que deviam relevar, voltaram de novo as assimetrias entre países ricos e pobres e nalguns casos reavivaram-se, inclusive, os perversos efeitos da ignomínia que ditam tentativas ignóbeis de colocar a Ciência à mercê de hediondos princípios de: “salvar primeiros os nossos” (caso da vacina), relegando os fundamentos de Igualdade e Fraternidade, dos modernos Estados ocidentais, para o “fundo do caixote”.

Na ausência de “manual” ou de referências do passado, que permitam avaliar precedentes e agir, os Governos têm poucas opções e “navegam à bolina” do momento. Não obstante, começam a avultar, com interesse e a merecer particular análise, estudos e avaliações sobre as formas de poder ir lidando com este “território desconhecido”.

Neste contexto, e atendendo a que a partilha de ideias e de práticas é fundamental, o Observatory of Public Sector Innovation (OPSI) e o Mohammed Bin Rashid Centre for Government Innovation dos Emirados Árabes Unidos acreditam que a Inovação poderá ser uma “ferramenta” crucial para avançar com sucesso. Metodologicamente, a OPSI aliou-se a outros parceiros e, conjuntamente, com a Divisão do Governo Aberto e Inovador da OCDE, auscultaram junto de vários países aquilo que são as “respostas inovadoras ao Covid-19”, a fim de reunir soluções inovadoras. Receberam mais 400 respostas de 60 países. O estudo EMBRACING INNOVATION IN GOVERNMENT -GLOBAL TRENDS 2020, que se recomenda,  pode ser consultado em https://trends.oecd-opsi.org/trend-reports/innovative-covid-19-solutions/

Os autores esperam que essas respostas possam inspirar ações, partilhar a aprendizagem, incorporar sucessos e acelerar o potencial transformador da Inovação durante a pandemia. Por isso, fatores como: aceleração rápida da Inovação e a transformação digital; a procura de soluções de baixo para cima e insights; a solidariedade social; reduzir a disseminação do vírus através do rastreamento e da ação adaptativa; e o procurar um caminho para a recuperação; surgem como relevantes na definição das políticas públicas governamentais.

A mais valia da Inovação, conforme temos defendido neste espaço de opinião, radica na cultura e na estratégia competitiva. Esta, deve incorporar-se nas organizações, que a devem colocar como central.

Quando perscrutamos com atenção vemos que todas as organizações de sucesso, seja no mundo empresarial ou público, têm a cultura da Inovação incorporada e as lideranças que a estimula. Estas, têm por missão antecipar, criar e gerir as mudanças. Em muitos casos assistimos, mesmo, a impulsos estratégicos organizacionais, que conduzem internamente a um clima organizacional, que inspira e impele cada elemento a ser agente da Inovação.

Hoje, mais do que nunca, a necessidade de ter os melhores, mais bem preparados e motivados nas organizações, para enfrentar o futuro em grande medida ainda desconhecido é uma evidência. Dos Governos espera-se (como se viu), que criem as condições e estimulem a Inovação derrubando obstáculos.

Finalmente, não olvidemos que aqueles que demorarem ou resistirem ficarão para trás.


 

Eduardo Alves escreve
à segunda-feira, de 4 em 4 semanas