'FarmVille' madeirense ou 'Quintavilão'

Em 2009, surgiu o jogo do Facebook – FarmVille. Foi um jogo que rapidamente se “viralizou”.

Todos gostávamos de cuidar de uma quinta, tradicionalmente dizendo, de um poio em que se plantavam e semeavam desde tubérculos, plantas, frutas, legumes e animais...

Era uma aventura, em que esperávamos horas e horas para ver crescer os produtos e obter os respetivos ganhos. Fazíamos trocas comerciais ou oferecia-se aos nossos vizinhos virtuais regalias, era uma coisa fabulosa, parecia que tínhamos regressado ao século XX, as trocas eram em produtos agrícolas virtuais.

Todos fomos por um pouco um agricultor virtual, no fundo, todos gostaríamos de ter uma quinta, mas sem ter o trabalho árduo.

Recentemente, ao ver umas fotos partilhadas pela conta de Facebook: Madeira Quase Esquecida vi uma foto da zona do Campanário em que, antigamente, via-se diversos poios todos cultivados, que, na atualidade, que nada têm, além de mato, tudo completamente esquecido e votado ao abandono.

Imaginemos que se transformava a Madeira numa espécie de jogo de agricultura? Seria algo inovador.

A Madeira nunca irá competir, a nível de agricultura, com o Continente, outros países europeus, muito menos países da América Sul, se essa competição se ficar pela quantidade, senão pela qualidade. Achar isso e/ou sequer pensar nisso é uma perfeita ilusão, a nossa dimensão e as caraterísticas da orografia são muito complexas.

Mas vemos que estes terrenos abandonados mostram um desinvestimento na agricultura madeirense. Ouvimos falar em investimentos na agricultura acessos ou águas, mas se esses milhões fossem distribuídos por todos os agricultores, daria para investirem nas suas culturas, modernizarem para os próximos 10 anos.

Investir nestes terrenos é também proteger as localidades de incêndios e também de enxurradas.

A Região terá de inovar e criar um plano regional para um investimento na agricultora biológica e única e exclusivamente na mesma, tudo isto será importante para o nosso desenvolvimento. Atualmente, a agricultura não é feita pelos homens que, como o meu avô, que pegavam na enxada e na foice e passavam o dia a cavar e a mondar, hoje é feita por pessoas formadas com conhecimentos, não só dos antigos como aqueles empíricos, mas várias tecnologias para evolução e desenvolvimento da sua cultura.

Outro ponto importante é que a grande maioria destes terrenos são de herdeiros que nunca se vão entender, pois cada herdeiro acha que merece mais que os outros, algo que é necessário resolver-se de forma mais ágil e com base no Direito. Como se pode resolver e forçar os herdeiros a entenderem-se? Utilizar a medida que a CMF fez, isto é, obrigou a que os herdeiros das casas reabilitassem as suas propriedades, tudo pelo aumento do IMI, algo já previsto na lei.

Todos gostamos de ser agricultores virtuais, ninguém quer ser agricultor na verdade, mas aqueles que procuram ser, encontram tantas e tantas dificuldades, desde a falta de terrenos, os apoios são tão burocratizados que é muito difícil atingi-los, além da falta de seguros para as colheitas e outros entraves.

Faz parte da evolução humana, pois só a agricultura fez-nos crescer enquanto humanos, a Madeira parece estar a abandonar a sua raiz, literalmente, no solo que lhe alimentou e alimenta os veios do seu ser, e, nestes tempos de pandemia, todos os autores de setor primário foram fundamentais para a nossa sobrevivência.