Nada menos do que orgulho

Santa Cruz assinalou, este ano, o seu 505º aniversário. Fê-lo sob condições especiais. A pandemia que agora dita dias diferentes e diferentes formas de estar, ditou que assim fosse. Ditou que não estivéssemos todos juntos para festejar este concelho que amamos e que construímos todos os dias.

A pandemia ditou também tempos de dificuldade extrema que estamos a viver. Dificuldades que atingem imensas famílias com as quais estamos a trabalhar e as quais vamos continuar a ajudar.

A única regra e o único verbo válido neste tempo tão desafiante é não largar. Não largar a mão de ninguém, não deixar que ninguém fique para trás.

Para nós, e embora o alcance das dificuldades seja hoje maior, este sempre foi, afinal, um ponto de honra: estar com as pessoas, fazer do capital humano o nosso mais precioso recurso e o nosso principal motivo de ação e trabalho.

Este 505º aniversário foi assinalado com uma espécie de balanço aos últimos sete anos de mandato, sintetizados na frase: Santa Cruz recuperou o orgulho, cumpriu o presente e tem um futuro!

Ou seja, Santa Cruz tem hoje o que nunca teve e nesse muito que hoje tem já foram, oportunamente, destacadas várias áreas de intervenção, como a estabilidade financeira, o programa social sustentado, o programa de bolsas de estudo com uma abrangência nunca antes vista neste concelho, o Fundo Social de Emergência, o apoio à reabilitação de Imóveis, o facto de termos sido um dos primeiro municípios em Portugal e o primeiro na Região a aderir ao cartão ABEM que permite acesso gratuito aos medicamentos, a entrega de manuais, escolares e a gratuitidade dos transportes. escolares, um programa de investimento sustentado e sustentável em áreas esquecidas durante décadas: na rede de água e saneamento básico, com obras já no terreno, nas Etar's e emissários submarinos, com obras já a decorrer nomeadamente nos Reis Magos.

Temos, ainda, uma série de obras estruturantes já em vias de ser lançadas com o intuito de recuperar a nossa rede viária e revitalizar os nossos centros urbanos.

Mas, neste artigo vou focar, de forma mais maturada, outra das áreas em que temos vindo a trabalhar e que pode ser entendida como imaterial, mas que tem um peso essencial e vital no tal caminho de recuperação do orgulho. Orgulho em pertencer a esta terra, orgulho em sermos capazes de fazer, orgulho em termos as nossas próprias iniciativas, orgulho de termos, enfim, a importância que temos como segundo polo turístico e porta de entrada na Madeira.

Neste domínio, lembro um caminho que tem vindo a ser trilhado desde que assinalámos os 500 anos do concelho. Criámos uma imagem renovada e moderna, que nos faz território, mas também sonho sintetizado entre a terra e o mar. Criámos um hino de que nos orgulhamos e que fala da nossa essência como lugar e gente.

A partir daqui, desta base que nos faz e deste orgulho de pertença, revitalizamos e criamos novas iniciativas. Santa Cruz tem hoje as suas festas do concelho renovadas e reforçadas com o 'Santa Faz', tem cartazes novos como o Santa Curtas e a Hora do Planeta. Teve, pela primeira vez na sua história, uma Festa da Flor digna, apenas interrompida este ano pela pandemia. Teve, e voltará a ter este ano, um Natal como nunca antes tinha sido visto.

Brevemente terá, ainda, a sua Casa da Cultura e Bibliotecas completamente renovadas, criando nestes locais centros privilegiados para o desenvolvimento das nossas iniciativas culturais, que tanto contribuem para o sedimentar da alma e do espírito de um povo e de uma comunidade com orgulho e identidade.
E tudo isto é também construir um futuro. Ou melhor, sem esta vertente não se constrói um futuro digno desse nome. E o que queremos sentir por esta terra é nada menos do que ORGULHO.