A oposição que temos

No sistema democrático o papel da oposição é muito importante. É tão salutar e indispensável que sem ela as próprias instituições, que lhe dão suporte, cairiam pela base. É a força das oposições que muitas vezes funciona como correctivo e obstáculo aos desmandos do poder, criticando os actos do governo, com critério e elevação, tendo consciência do relevante papel que desempenham. A oposição tem um papel imprescindível nas sociedades democráticas, fiscalizando as leis e sendo sentinelas vigilantes do direito e da justiça, defendendo as garantias populares contra as exorbitâncias do poder.

Na Madeira, pelo contrário, desde anos imorredoiros, a oposição tem expressado os desvarios da política de campanário em que se envolveu. A oposição desvirtuou-se e entrou num desvario, corrompendo-se, muitas vezes e deixando de ter uma influência benéfica, acabando por revelar-se contra o bem-estar social, dominada pelos interesses partidários e pela ambição de governar a qualquer preço.

Para conseguir tudo isto não tem escrúpulos nos meios que emprega. Não importa que os apaniguados não tenham os ideais comuns ao partido que representam; alguns deles andaram a vida toda a adular aqueles que detinham o poder, na ansia de obter um lugar de destaque no partido do governo e quando se aperceberam que não conseguiriam vingar com esses, mudaram as agulhas e enfileiraram com aqueles que procuravam ganhar o poder a qualquer preço. Estes não tiveram pejo em afastar aqueles que, por força da sua inteligência, dos seus argumentos intelectuais e políticos, mostraram sempre ser os mais capazes para dirigir o partido e eventualmente aspirar a governar a Região. Os que os escorraçaram, revelando uma total imperícia intelectual e política, contaram com a prole de ignorantes, inconscientes e perversos que existiam no partido, dispostos a acreditar, apoiar e propalar as mais grosseiras mentiras dos medíocres que por todos os meios se apoderaram deles.

As suas reações intempestivas e despropositadas, as mentiras orquestradas passaram a ser a sanha desta oposição facciosa, vulgar e medíocre. No curto espaço de tempo que ela tem actuado na Assembleia Regional, apenas tem apresentado artifícios risíveis. Entre eles: as promessas do “Armas” todo o ano; os “murros na mesa”; a votação contra o subsídio de mobilidade, para os madeirenses e que por via disso ainda se encontra nas gavetas de S. Bento; “as notícias em primeira mão” dadas ao jornal “comprado” e que afinal eram falsas como Judas.

Esta oposição ainda não curou as mazelas da derrota, continua sem saber gerir as frustrações das suas convicções e dos grandes desvarios anteriores às últimas eleições regionais, deturpando e envenenando os actos e as boas intenções daqueles que governam e dificultando assim a busca de soluções para os problemas que afligem o povo madeirense.

Esta oposição mesquinha e raivosa precisa fazer uma lúcida e meticulosa meditação introspetiva, contrapondo os defeitos e as qualidades, os fracassos e os êxitos das suas acções para que assim aprendam a gerir melhor as suas impressionantes emoções de forma a que o discernimento possa primar sobre o absurdo.