A Cultura é um bem essencial

No passado dia 23 de junho, terça-feira, tiveram lugar as Jornadas Madeira 2020, organizadas pelo JM, subordinadas ao tema Cultura. Esta iniciativa decorreu no Museu de Arte Contemporânea da Madeira – MUDAS, um espaço que se ajustou na perfeição ao tema em apreço, uma vez que é um dos ex-libris da cultura na Madeira, e um exemplo do que é a descentralização cultural que se encetou na nossa Região.

Foi com muito gosto que participei nestas Jornadas que reuniram artistas, agentes culturais, jornalistas, decisores políticos, bem como a sociedade em geral e tiveram o mérito de promover o diálogo, dando voz aos principais protagonistas: os artistas. São eles que, melhor do que ninguém, conhecem a realidade, enfrentam os problemas e procuram soluções.

Esta crise, que tem um impacto significativo na vida de todas as pessoas, fez-nos refletir, também, sobre o valor de bens intangíveis. Como teria sido tão mais difícil o tempo de quarentena e isolamento sem música, sem filmes, sem livros, sem arte, sem jornais, sem rádio, sem televisão… Sem Cultura.

Com as pessoas isoladas, surgiu uma necessidade tremenda de consumir estes bens culturais, e aqui aplaudo e saúdo todos os agentes culturais, que souberam inovar e se reinventar. O seu espírito abnegado fez-nos pensar na condição dos que fazem Cultura, sejam eles amadores ou profissionais, associações ou empresas, criadores e criativos.

Os nossos artistas fizeram uso das novas ferramentas digitais, para entreter, elucidar e trazer bem-estar, através da arte, aos milhares de cidadãos que estiveram fechados em casa.

Exemplo disso também é um conjunto de exposições, de visitas, e outros produtos artísticos desenvolvidos nas plataformas digitais do Governo Regional.

Tem existido uma aposta clara nos apoios aos projetos culturais, na descentralização das iniciativas, na criação de novos projetos, e ainda na requalificação e reabilitação do património edificado. Em particular esta última vertente, tem sido uma das faces mais visíveis na aposta na Cultura. Diversas, igrejas, capelas, monumentos, museus, entre outros, têm sido alvo de obras de beneficiação e requalificação. Preservar o nosso património edificado é dar um contributo essencial para a dinamização cultural, é preservar a nossa cultura, é reforçar a nossa identidade.

Precisamos de continuar esta união de esforços, de forma a valorizar a cultura, os artistas. A Cultura é um bem essencial. Mais que apoios, valorizo a necessidade de um investimento continuado e gradual, que contribua, também, para a qualificação e diversificação do setor.

A Madeira é já uma Região onde as indústrias criativas e culturais desempenham um papel importante na criação de novos polos de atratividade. Esta é uma aposta certa, uma aposta de futuro!