Albuquerque Urbi et Orbi

Embalado pelos resultados favoráveis no combate à pandemia, o Presidente do Governo tem opinado sobre tudo e mais alguma coisa e na passada quarta-feira foi vê-lo, desta feita, a tentar ensinar o “pessoal do retângulo” a resolver os novos problemas do Covid19 que tem surgido nesta fase do desconfinamento. Importará mencionar que tamanha alocução foi proferida na visita à recuperação da levada do Monte Medonho, na Ribeira Brava, não fez por menos.

Albuquerque, agora de bandeira da Região na boca, permite-se dissertar sobre tudo, parecendo até, nesse particular, Marcelo Rebelo de Sousa. Depois de uma tentativa abortada de se candidatar a Presidente da República, penso que a sondagem conhecida lhe tirou essa ideia da cabeça - pois até o Tino de Rãs conseguia melhor - fala agora como se quisesse ser candidato ao lugar de António Costa.

Seria avisado não cantar de galo pois nunca se sabe o que por cá poderá vir a acontecer quando entrarem, por aí adentro, os tão necessários turistas, essenciais para alimentar o principal sector da nossa economia. Trump também disse ser um especialista em pandemias como a que experienciamos invocando até um seu familiar, médico infeciologia, como se o conhecimento em matérias como estas, se transmitisse hereditariamente ou por contágio.

Espero que da mesma maneira que Trump sugeriu injeções de desinfetante para combater o Covid19, Albuquerque não nos aconselhe agora a fumar barba de milho para o mesmo fim.

Não pretendo gracejar com coisas sérias mas na verdade ouvem-se coisas que mais parecem brincadeira e foi isso que também lá para a Ribeira Brava o Presidente do GR fez quando afirmou: “ou se tomam as decisões certas em termos de Governo ou então temos as consequências”, sancionado António Costa. E lá terá a sua razão, se não vejamos: no pretérito dia 21 foi notícia que a “…consolidação das muralhas da Ribeira de João Gomes só terá condições para avançar no próximo quadro comunitário de apoio, que deverá vigorar entre 2021 e 2027…”.

Cá está uma decisão de Albuquerque; adiar uma obra cujo início já está atrasado em mais de 10 anos, sabe-se lá para quando. Para mais quando o seu financiamento também já estava previsto na Lei de Meios, a tal que nasceu como resposta nacional à catástrofe de 20 de fevereiro de 2010. Também neste caso se queixou de terceiros para justificar mais um adiamento.

Mas há mais, em Janeiro último Pedro Calado perspetivava que as obras do novo hospital iriam para o terreno lá para depois deste Verão já que a adjudicação da obra só deveria acontecer até Setembro.

Ficámos a saber, também esta semana, que nenhuma das sete entidades pré-qualificadas para o concurso relativo à construção do novo hospital apresentou qualquer proposta, foi assim que vi noticiado pela concorrência, alegadamente devido aos efeitos do contexto de pandemia e de entenderem insuficiente o valor base do concurso que foi cerca de 206 milhões de euros.

A esse propósito, o Secretário Regional de Equipamentos e Infraestruturas prometeu o lançamento de novo procedimento concursal para setembro ou outubro, para que seja possível iniciar os trabalhos de construção no primeiro semestre de 2021. Cá está mais uma decisão ou adiamento, se preferirem, e desta feita de quem é a responsabilidade?

Mas como na passada quarta-feira era mesmo a Ribeira Brava que estava na crista da onda, Albuquerque resolver anunciar obras para a frentemar daquela cidade a principal das quais o apoio à recandidatura do atual Presidente da Autarquia, o mesmo que vetou nas últimas eleições. A mais de um ano das eleições autárquicas este foi um presente de Natal, antecipado, para Ricardo Nascimento que deve de estar grato mas também a pensar: e agora?

Caso para dizer: Deus tenha piedade de nós!

Jaime Leandro escreve
à sexta-feira, de 4 em 4 semanas