Bem Hajam!

Esta semana teve início a segunda fase do desconfinamento, começamos a ver uma leve retoma das atividades económicas, com as devidas precauções retoma-se a normalidade.

É tempo de mais uma vez agradecer aos profissionais de saúde e às forças de segurança, que com risco da própria vida, combateram o inimigo invisível que nos confinou aos nossos domicílios. Não posso também deixar de agradecer aos profissionais dos setores produtivos e de distribuição, que garantiram a quem esteve confinado, os bens essenciais para a sobrevivência. Agradecer também às autoridades regionais pela coragem das medidas tomadas e cujos resultados estão à vista, especialmente não termos perdido ninguém.

Neste contexto de pandemia, não posso deixar de me dirigir ao setor da Educação, enfatizando o esforço descomunal que professores e famílias fazem para manter a ligação das nossas crianças à escola. A todos bem hajam. Às famílias pela gestão de tempos de aula e teletrabalho, nem sempre fáceis de conjugar. Aos professores que rapidamente se adequaram a novos métodos de ensino, que adotaram a tecnologia apesar das dificuldades formativas, que identificaram alunos sem recursos e permitiram à SRE através das escolas providenciar os meios necessários. Aos professores que prontamente se disponibilizaram para levar, aos alunos do secundário, as tele aulas do projeto #estudarcomautonomia sem medo de se exporem, perguntando apenas o que precisamos de fazer.

O desconfinamento não significa normalidade e dificilmente haverá normalidade para o setor da educação, apesar da atual abertura de algumas atividades letivas. Setembro será o momento crucial para este setor, a tecnologia irá estar presente como nunca esteve. Será uma ferramenta, tal como acontece noutros setores, do dia a dia, será através das plataformas de ensino à distância que conseguiremos cumprir as regras emanadas pelas autoridades de saúde. Até setembro, os professores irão passar por um esforço formativo, esforço esse que já está em curso e que centenas de professores estão a fazer.

Não tendo a pretensão de ser oráculo ou mero adivinho, o futuro da educação passará certamente pelo ensino misto (Blended Learning), em que as atividades presenciais serão reforçadas por uma forte componente on-line. O papel do professor irá transformar-se e será cada vez mais um designer de aprendizagens, é pelo menos o caminho que a união europeia aponta no “European Maturity Model for Blended Education” e que levará os estados membros a olharem para os sistemas educativos de outra forma.

Assim os professores estarão de novo na primeira linha da transformação da educação, segundo as previsões da OCDE, esta transformação exigirá um enorme esforço já a partir de setembro. Como tal considero que os professores merecem um enorme bem haja, pelo esforço que fizeram durante o confinamento e pelo esforço que irão fazer para evitar a propagação da doença nos próximos meses.