A República de perna cruzada

1. Ter cinco minutos
de fama na TV

Este fim de semana podia ler-se no Expresso que “Investigadores estimam que os casos assintomáticos sejam cinco a dez vezes mais do que os diagnosticados.(…) Assim, até quinta-feira passada haveria entre 142 mil e 280 mil portugueses com covid-19 que nunca deram conta.”

Isto significa que toda a atenção é pouca no indispensável processo de desconfinamento, em que a reabertura das várias atividades, deve ser cuidadosamente acompanhada e em que os cidadãos têm um papel vital na forma como se comportam – todos os dias – nas suas “novas rotinas”.

Correr bem o desconfinamento é correr bem o nosso novo futuro. Que será certamente diferente do até aqui experienciado por todos.

Este processo não ganha nada com decisões como aquela de um tribunal nos Açores, fazendo com que um cidadão que estava no cumprimento de uma medida de quarentena em unidade hoteleira fosse libertado dessa obrigação.

Essa ação vem potencialmente ajudar escritórios de advogados, mas pouco ou nada faz pela saúde e pela vida de muitos cidadãos.

Está aberta a porta para que o que sucedeu em alguns locais do país, onde as autoridades de Portugal assumidamente já não conseguiam seguir as cadeias ativas de transmissão e a transmissão comunitária tornou-se uma realidade.

Todos assistiram ao que sucedeu em lares e por aí adiante, numa “roleta russa” que a todo o custo os Governos das Regiões Autónomas tentaram evitar e combater.

Deitando mão de medidas mais restritivas.

Agindo muitas vezes com muito maior antecipação e eficácia do que aquilo que o Governo do país quis fazer. E conseguindo os resultados que até agora são conhecidos.

Os cidadãos não são destituídos e percebem bem o que se pode seguir a esta “brincadeira” jurídica.

A ver vamos se as consequências não trarão amargos de boca a tanta “esperteza”.


2. Faz de conta que o PS/M
tem propostas

Este fim de semana também decorreram as jornadas parlamentares do PS/Madeira, onde aconteceu o que se esperava.

Os socialistas disseram umas generalidades sobre retoma da atividade mas não se lhes conhece uma proposta concreta.

Abrir os setores, com cuidados é melhor que se lhes consegue ouvir como ideia.

Mas a mesma falta de coragem. A mesma falta de frontalidade. A mesma conversa enrolada foi o que resultou.

Convidaram para oradora a líder parlamentar nacional. E esta disse que claro que o Governo do PS na República vai ajudar.

Mas vai ajudar da mesma forma que Bruxelas diz ir ajudar os países.

Assim, como ainda não é claro como será essa ajuda, quererá significar que Lisboa espera para pensar no assunto.

Sobre o que a Região solicita, uma conversa redonda quanto à lei de finanças regionais e nada sobre o pedido concreto de adiamento do pagamento das próximas duas prestações do empréstimo: 48 Milhões de euros em julho deste ano e outros 48 Milhões de euros em janeiros de 2021.

Também necessitam que Bruxelas fale para saberem se aceitam apoiar a Região adiando esses dois pagamentos?

Já está pedido vai para mais de 60 dias e até agora nada.

Ana Catarina Mendes nem falou do assunto. O PS/Madeira aplaude Lisboa.

O filme do costume!