Ressaca da pandemia

Já estamos todos, mais ou menos, na rua, salvo seja.

Já estamos libertos para passear, nem que seja de casa ao trabalho e vice-versa. Os últimos dois meses mostraram-se tremendamente desgastantes a nível psicológico, sem saber o amanhã, vivíamos numa incerteza, mas a mesma transitou para os dias de hoje. O problema, no meio deste imbróglio, é quem tem a certeza absoluta - dos que queriam que o aeroporto fechasse obrigatoriamente, estranhamente, ou não, são muitos dos que querem que abra, aos que sabiam que isto ia passar num instante e tudo seria como antes.

Se antes, ou melhor, durante o período da epidemia, que posteriormente passou a pandemia, o número de peritos em análises matemáticas, virologistas, entre outros, multiplicou-se em catapulta o mesmo está agora a acontecer, em número semelhante, em economistas, psicólogos, políticos, sociólogos. Estranhamente, ou não, durante este tempo adotei a filosofia de quem estava à frente, a dar cara, sabia o que fazia, quer seja Pedro Ramos ou Bruna Gouveia, quer seja, Marta Temido ou Graça Freitas, penso que era uma altura em que convinha ter mais em conta as recomendações do que outra coisa. Até ao momento, parece que fiz a escolha acertada.

Agora com o país ainda em modo de ressaca, daquelas valentes que apanhamos na sexta à noite, não quero infringir os copyrights do programa da RTP, e que nos acompanham durante uma semana, altura em que apanhamos outra, está na altura de virarmos as atenções para outros sectores e aproveitar para fazer o balanço deste primeiro momento desta pandemia que vivemos, e o que podemos fazer para que no futuro, esperemos que não, se voltar a acontecer estarmos melhor preparados de modo a que a ressaca dure, no máximo, um fim de semana.


O que perdemos

Com tanta história de covid-19, houve acontecimentos que perdemos e foram um pouco sonegados. Tentarei fazer um breve resumo do estado deste planeta que irá enfrentar o pós-covid.

Ora bem, antes de mais, os golfinhos não voltaram a Veneza, tenho sérias dúvidas que alguma vez tenham lá estado. Posto isto, continuemos...

Na Hungria foi Viktor Orbán, aproveitou a pandemia para aprovar a lei do estado de emergência. Nada de especial, apenas o facto de permitir que o mesmo governe por decreto. Passado algum tempo a organização não-govermental, Freedom House (FH), publicou um relatório onde afirma que a Hungria já não pode qualificar-se como uma democracia. Dias depois, a polícia húngara confirmou que foram detidas 16 pessoas que foram presas por criticarem a gestão do covid-19 feita pelo governo de Orbán. Entretanto, no mesmo relatório da FH, há um aviso que a Polónia poderá estar a entrar pelo mesmo caminho. Ambos os países fazem parte da União Europeia, a mesma união que Portugal faz parte, e que por enquanto ‘monitoriza’ a situação.

Do outro lado do Atlântico, Maduro acusa os Estados Unidos de estarem ligados a uma tentativa de golpe de estado falhada. O cómico desta situação é como esse golpe foi efetuado, algo digno de um filme com o Seth Rogen de preferência ‘mega-high’.

Tivemos os habituais disparates do Trump, desde de beber lixívia para matar o vírus a ‘Obamagate’ – que ainda ninguém percebeu do que é que ele falava.

O Irão lançou o primeiro satélite militar, algo que deverá colocar o mundo em estado de alerta. Bolsonaro ‘despediu’ o seu mega-ministro, Sérgio Moro, e dois ministros da saúde, sim em plena pandemia. Em Israel, Netanyahu diz que é hora de anexar parte da Cisjordânia, quem é que não tinha saudades de um bom conflito armado?

E porra, parem com o raio do NONIO, só serve para acumular os nossos dados pessoais, à lá Cambridge Analytica, e que em nada beneficia os meios de comunicação que usam essa m*rda de plataforma, a não ser que estejam a ser pagos para utilizar...