Tempos de quarentena ou isolamento social

A maioria de nós, infelizmente ou felizmente por motivos profissionais não me enquadro, está neste momento confinada a um espaço de quatro paredes em que normalmente só estamos quando fechamos os olhos.

A fazer quarentena ou isolamento social, conforme o leitor preferir, os problemas surgem sobre como matamos o tempo, se não estivermos em teletrabalho, e os temos mais profundos pensamentos, na realidade ficamos com tempo que antes estava alocado em outras funções e preocupações.

Uma boa forma de passar o tempo é entretermo-nos com livros, filmes, séries, música, mas isso quase um dilema, sempre tive este por acaso, com tanto livro, filme, série, música devemos consultar os clássicos? Mas corremos o risco de ficar presos ao passado e não vivermos o presente. Então optamos pelos novos, mas ficamos sem conhecer o nosso passado. É com esse dilema que deixarei cinco recomendações de cada para o leitor, se for esse o caso, matar o tempo, como é óbvio já fica avisado que vem aí coisas pseudointelectuais.

 

Livros:

Ernest Hemingway – O Sol Nasce Sempre; título apropriado para os tempos que estamos a passar. Aproveite e viaje até San Fermín, sem COVID-19.

Charles Bukowski – Mulheres; semiautobiográfico conta a vida do alter-ego de Bukowski, Chinaski, enquanto navega um sem número de relações inúteis.

Albert Camus – O Estrangeiro; entramos na parte da pseudointelectualidade confrontando o absurdismo de Camus.

João Tordo – O Luto de Elias Gro; passado numa ilha algures no Atlântico, a procura pela solidão, existe algo mais apropriado para estes tempos?

Fyodor Dostoevsky – O Jogador; numa altura em que praticamente jogamos a nossa existência lemos como Dostoevsky lidava com a roleta.

 

Filmes:

The Foutain (2006) – realizado por Darren Aronofsky, é provavelmente dos filmes mais filosóficos alguma vez feitos. Dividido em três histórias, o objetivo é sempre o mesmo, a procura pela imortalidade.

Manhattan (1979) – um clássico de Woody Allen. A comédia romântica mais hip de sempre, e a carta de amor à cidade dele.
Casablanca (1942) – “de todos os bares do mundo, ela tinha de entrar no meu”, um americano isolado em Casablanca e as coincidências da vida.

Pulp Fiction (1994) – a obra-prima de Tarantino. Cortado em várias histórias, com vários interpretes, acaba por nos mostrar que está sempre tudo interligado.

Only Lovers Left Alive (2013) – um filme sobre isolamento social e vampiros? Sim, Jarmusch arranja isso tudo. E há a parede da fama.

 

Música:

Daft Punk – Homework; um álbum que marcou o paradigma da música eletrónica tornando-a mais acessível ao público.

The National – Boxer; lançado a meio do boom do indie rock, consolidou a banda de Ohio como uma força no meio. “Fake Empire”, reflete-se ainda nos dias de hoje.

Pearl Jam – Ten; o início de tudo. Preenchido das preocupações sobre depressão, abuso e com a música sobre um tiroteio, Ten marcou uma era de adolescentes revoltados com o sistema.

Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy; o hip-hop tem tido os seus altos e baixos, ora aparecia nos tops, ora desaparecia. Com MBDTF, tudo mudou. Kanye transformou o hip-hop para os dias de hoje.

The Cure – Disintegration; melódico, dramático, sedutor, tudo palavras chaves para caracterizara a magnum opus de The Cure.

 

Séries:

Seinfeld – uma série sobre nada, para nada, simplesmente para passar o tempo. Simples e genial.

24 – Jack Bauer tem 24 horas para salvar o mundo. Cada episódio equivale a uma hora dessa 24. Ação, espionagem, e um mundo um pouco diferente do de hoje.

The Newsroom – a vida numa redação de um telejornal. Um pivot carismático e a busca pela verdade jornalística, balançado com a política.

The Wire – a série mais real, que a própria realidade. Passada nas ruas de Baltimore, é a cruzada perdida de um polícia para com a sua cidade.

The Office (US) – um escritório de uma empresa de papel, com um chefe peculiar, com assistente ao chefe pior. Comédia garantida com requintes de humor britânico.

Entretanto, não se esqueça, fique em casa.