Dia Mundial do Serviço Social

Em Portugal, assinala-se o dia Mundial do Serviço Social, na terceira 3.ª feira do mês de março, decretado pela federação internacional dos Assistentes Sociais.

“O Serviço Social é uma profissão de intervenção e uma disciplina académica que promove o desenvolvimento e a mudança social, a coesão social, o empowerment e a promoção da Pessoa. Os princípios de justiça social, dos direitos humanos, da responsabilidade coletiva e do respeito pela diversidade são centrais ao Serviço Social. Sustentado nas teorias do serviço social, nas ciências sociais, nas humanidades e nos conhecimentos indígenas, o serviço social relaciona as pessoas com as estruturas sociais para responder aos desafios da vida e à melhoria do bem-estar social.”

Permitam-me que desmistifique o conceito que muitos dos comuns mortais têm em relação a esta Profissão tão nobre. Os licenciados em Serviço Social são Assistentes Sociais a quem, muitos apelidam de “as meninas da assistência” (sim, também existem “meninos”, pese embora em número substancialmente inferior) os quais são invariavelmente associados ao sistema de Segurança Social. Desengane-se, porém, quem julgue que estes profissionais esgotam a sua intervenção apenas neste organismo, com o tão famigerado “Assistencialismo”. Somos muito mais do que isto!

Com o evoluir das sociedades por todo o mundo, e com todas as suas vicissitudes, novos desafios emergiram, assim como a necessidade destes profissionais exercerem a sua função noutras áreas de intervenção. Assim, nós, Assistentes Sociais fomos chamados a dizer ‘Presente! `, nas políticas de educação, na justiça, no emprego, na habitação, nos serviços de saúde, no poder local, nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (com as mais variadas respostas sociais), nos serviços sociais das Forças Policiais e Armadas e nas empresas que apostam na sua vertente da responsabilidade social.

O Assistente Social é o profissional de 1.ª linha a quem o cidadão recorre no imediato quando se encontra, em regra, numa situação de vulnerabilidade. Atrevo-me a enfatizar e sem falsa modéstia, que somos muitas vezes “os contentores” dos seus anseios, preocupações, medos e angústias, dor, inquietações, fraquejo e do seu sofrimento, mas também, e sobretudo dos seus sonhos, das suas esperanças e alegrias. 

Pese embora as políticas sociais na RAM, muitas delas pioneiras no país, terem um grande impacto positivo nos grupos mais vulneráveis, nem sempre é possível dar uma resposta no imediato e que vá ao encontro das expectativas que os cidadãos depositam em nós. Infelizmente não há sistemas perfeitos!

Por vezes sentimo-nos impotentes e, não raras vezes, incompreendidos por quem nos procura. Sentimos um gosto amargo da “derrota”, mas não arrefecemos. O nosso envolvimento emocional vacila, porque também somos homens e mulheres munidos de sentimentos.

Estes homens e mulheres que andam no terreno lutam diariamente e arduamente pela justiça e pela equidade social, são os mesmos que podem - e devem - dar o seu contributo para que as nossas políticas sociais sejam cada vez melhores e eficazes, e que se adaptem às novas realidades e desafios, tendo sempre presente o foco no cidadão.

Uma das lutas não menos importantes da nossa profissão prende-se com a valorização profissional, não apenas na lógica da sua intervenção, mas também na evolução e justiça da sua carreira remuneratória sem diferenciações. Não há assistentes sociais de segunda, somos todos iguais!

Os Trabalhadores Sociais-democratas através da secção da Intervenção Social têm mergulhado em reflexões e dado contributos importantes no atinente a estas matérias. Estamos certos que, cedo, não tardarão a dar os seus frutos.