Todos a aprender coisas novas

A Madeira completa a segunda semana em alerta. Um estado de inquietação e de prevenção que foi subindo gradualmente de tom até chegar ao ponto extremo em que nos encontramos agora. Sem fim à vista e sem poupança nas palavras para descrever este pré-caos.

Os exemplos antagónicos da China e da Itália, com mais réplicas noutras latitudes, comprovam que a Madeira fez bem em ter pressa na implementação de alguns procedimentos. De facto, a proverbial sensação de que determinadas fatalidades “só acontecem aos outros” acabou por ser derrotada sem apelo nem agravo. Ninguém consegue rir de ninguém.

Está o mundo inteiro a aprender muitas coisas novas. São estranhos estes tempos em que nenhuma prioridade do início de março, por exemplo, faz sentido agora. E o mês ainda vai quase a meio.

Empresas, instituições públicas, coletividades culturais e desportivas, todos estão em suspense, sem atividade. E até foi pacífico passar do turbilhão de coisas, de eventos, de iniciativas, para isto: resguardo total, recolhimento das pessoas em casa, mobilidade zero. Mandámos os turistas embora, fecham-se hotéis como se recolhe a barraca da fruta depois de um dia a meio da cidade.

Num repente, tudo passou a ser insignificante. O que nos remete para uma profunda reflexão, até porque anda quase toda a gente com muito tempo livre – à exceção dos setores da saúde, segurança, distribuição alimentar e comunicação social – e nada mais oportuno do que preencher alguns vazios com a aprendizagem das evidências: afinal há tanta discussão inócua, há tanta causa dispensável, afinal não precisamos de tanta gente para fazer o que é verdadeiramente necessário. Afinal, para obtermos aquilo que nos faz falta é possível consegui-lo de forma bem mais simples do que nos habituámos.

Ainda nem chegámos ao auge da crise e já vislumbram os aproveitadores do costume. Ao terceiro ou quarto dia com estabelecimentos sem clientes ouvia-se já ‘empresários’ de sucesso a gritar pelo governo. Ao terceiro ou quarto dia, repito. É óbvio que os governos existem para acudir a situações como esta, para implementarem planos alternativos e verem um pouco mais além. Sobretudo, que tragam alguma serenidade e esperança. Não para debitarem medidas em cima do joelho, que soam a demagogia, tipo água e luz de borla, como se isso se revertesse numa ajuda imediata e palpável.

A frequência com que o mundo se vai deparando com fenómenos anormais obriga-nos, a todos, a repensar prioridades e a forma de viver em sociedade. Estamos todos a aprender. Nesta pequena ilha talvez até seja mais fácil conseguir aplicar os ensinamentos inevitáveis.