A anormalidade dos dias

A normalidade dos dias foi interrompida. Pandemia, isolamento social, quarentena e estado de emergência introduziram-se de forma abrupta no dia-a-dia de todos os portugueses. A vivência dos conceitos encerrados nestas palavras tornam estes dias longos e criam a necessidade de uma rápida adaptação. E o que é certo, é que de forma voluntária, os portugueses, e de forma mais particular, os madeirenses, começaram a alterar hábitos e rotinas de forma a responder aos pedidos das autoridades de saúde.

Todo o País se está a adaptar a um combate inglório contra um vírus que tem arrasado cidades inteiras, a uma escala global. Por cá, na Madeira, foi possível atrasar ao máximo o aparecimento do primeiro caso de COVID-19 e isso fez-nos ganhar tempo para garantir uma resposta mais eficaz.

Será de louvar a forma como tem sido conduzida a resposta a esta ameaça. A forma de comunicação assertiva utilizada pelas entidades oficiais transmitiu confiança e isso levou a que os madeirenses seguissem de forma exemplar as recomendações emanadas. Se a população perceber o risco, perceber o que lhe é pedido e perceber que pode confiar na informação que lhe é fornecida, é meio caminho andado para as coisas correrem bem.

A preocupação em garantir, ainda assim, alguma normalidade dentro do quadro actual, também tem sido importante. A possibilidade de teletrabalho, a possibilidade da jornada contínua de trabalho, a possibilidade de acompanhamento dos filhos menores de 12 anos, são medidas cirúrgicas de apoio, valorizadas por todos.

É verdade que inicialmente o pânico tomou conta de alguns de nós. Aquela corrida inicial aos supermercados e às farmácias, não é mais do que o instinto natural de sobrevivência, que devemos tentar compreender. Para o fenómeno do açambarcamento de papel higiénico, não encontro explicação racional, mas terei tempo nos próximos dias para repensar a questão.

Maior que o medo de não ter o papel higiénico de folha tripla, será a factura, a pagar mais à frente, do efeito do "shut down" parcial do País. A factura prevê-se pesada, com entendidos na matéria a projectarem diminuição de rendimentos, dificuldade em cumprir com obrigações e recessão económica no País. É uma relação de causa-efeito demasiado dura para quem está à luta, numa guerra que não pediu para travar.

A luta prevê-se longa, com consequências a curto e a longo prazo, nos vários domínios da nossa vida. Todos somos chamados a ajudar. Todos temos de cumprir com a nossa parte. Tenho a certeza que sairemos desta crise mais coesos, mais fortes e mais solidários.