Cada cabeça, sua sentença

"Não somos perturbados pelo que acontece connosco, mas pelos nossos pensamentos sobre o que acontece connosco." Epicteto

Há casos confirmados da COVID-19 na Madeira. Há filas nos supermercados, há quem esteja em pânico, e há quem ainda não tenha noção do perigo, porque estamos todos "a exagerar". As pessoas estão agitadas, é um facto. Não é só na Madeira, é no mundo inteiro.

Steven Taylor, autor do livro "The Psychology of Pandemics" (em tradução livre, A Psicologia da Pandemia) defende que compras motivadas pelo pânico sempre aconteceram, embora pouco documentadas. Em 1918, por exemplo, durante a Gripe Espanhola, as pessoas também esvaziaram prateleiras nos supermercados motivadas pelo pânico – uma espécie de "efeito manada".

A grande diferença entre as pandemias anteriores e a que vivemos são as redes sociais. As pessoas estão expostas a tudo, incluindo notícias falsas, depoimentos falsos, que visam única e exclusivamente gerar pânico nos mais ansiosos – uma infeliz "infodemia".

É imperativo que sejamos capazes de manter a calma para que o temor de alguns não se transforme em ansiedade de muitos e no pânico de tantos outros. Respeite as indicações dadas pelas entidades competentes e não se guie pelo que leu nas redes sociais. Informe-se. Somos responsáveis em relação aos outros. Dependemos uns dos outros para enfrentar esta pandemia. Temos que lembrar-nos que não é só sobre nós, é sobre todos nós.

O isolamento social (que não é o mesmo que "quarentena") exige muito de nós, sem dúvida. Especialmente quando temos crianças pequenas em casa. É um verdadeiro desafio. Encontrar equilíbrio entre o lazer e o estudo torna-se complicado quando os miúdos estão habituados a estar em casa em período de férias. As crianças estão, quer queiramos, quer não, fora da sua rotina. Dizem os entendidos que é importante explicar porque é que isto está a acontecer, mas não é fácil. Se formos a contar que um dos pais fica em casa em teletrabalho, como é que se explica a uma criança que tem que respeitar também o espaço de trabalho? Um desafio, para todos, diferente para cada um de nós.

Neste momento, parece que tudo se torna mais instintivo do que racional. Sentimo-nos ameaçados. Mais grave ainda, não nos ameaçam apenas a nós, ameaçam os "nossos". E isso é assustador. Mas é preciso bom senso – o medo é contagioso! E a solidariedade também, felizmente. Um grande bem-haja para todos aqueles que se voluntariaram para levar comida e medicamentos a quem não pode fazê-lo em segurança. Um grande bem-haja a todos os profissionais de saúde que correm riscos diariamente para cuidar de quem realmente precisa. Todos aqueles que, como eu, têm familiares que trabalham na área da saúde, sabem bem o que significa abdicar da sua própria segurança em prol do bem-estar e saúde de outros. Lembre-se disso quando decidir que "até está bom tempo para ir fazer uma patuscada com os amigos" ou para "ir a banhos". A consciência é sua.

Este não é o tempo para sermos irresponsáveis, colocando os demais em situação de perigo. Não é tempo para politiquice. É tempo para governar. Para deixar quem tem que governar, governar e tomar as decisões difíceis que mais ninguém pode tomar por eles. Pelo bem de todos.