Não nos atrapalhem!

Mais uma vez o Povo Madeirense vem provando a sua fibra de responsável.

Aliás, fê-lo sempre ao longo da História ante todas as injustiças e contrariedades.

Agora, há que com racionalidade, a qual dispensa apelos saloios a unanimismos, seguir firmemente as orientações do Governo Regional e das Autoridades sob tutela do Governo da República, Estas louvavelmente a trabalhar de acordo com Aquele.

É tradição nesta terra não nos deixarmos vencer por pessimismos. São pequenos os cultos da exploração da tragédia, que às vezes ainda se sentem mediaticamente na nossa comunidade.

O Povo Madeirense detesta o exibicionismo ou que se faça política à custa da desgraça.

Creio que, para já, a partidocracia regional percebeu isso, pelo que é de louvar o elevado nível de civismo de que está a dar provas.

A situação na União Europeia derrapou o que actualmente se vê, mas eu que andei por Bruxelas, não estranho.

Tal como está montado, o corpo administrativo da União Europeia, em Bruxelas, não actua em função das realidades da Europa.

Nem sequer se esforçam por compreender o viver dia-a-dia dos cidadãos europeus. Pelo contrário, fazendo do aparelho burocrático uma carreira que lhes permita, um dia, reformas cómodas, são o exemplo vivo de um "politicamente correcto". O qual só atrapalha a evolução dinâmica dos povos que deviam servir, ainda por cima parindo regulamentações – "à la page", entre eles – inadequadas às realidades.

Quanto aos políticos da geração de hoje nos países membros da União Europeia, formados na última década anos noventa, primeira década, século actual, são diferentes das gerações anteriores que procuraram concretizar o "sonho europeu".

A educação desta "nova" geração decorreu sob o impacto do Relativismo. O que derreteu Valores e assim enfraqueceu a União Europeia. Desenvolveu o culto egoísta do "sucesso" material individual, indiferente à Ética e à Solidariedade. Culminando no conforto tribal da prática do "politicamente correcto" e do respeito religioso e massificado pela moda pseudo-intelectual.
Os europeus estão nas mãos de uma geração assim desgraçadamente impreparada. Os Portugueses não fogem à regra.

As "grandes cimeiras" em Bruxelas são feitas de poucas horas. Estas, num conjunto de 27 países, não dão tempo para resolver com juízo o que é importante. Decorrem sobre leituras fugazes – se lidos.... – de papeis elaborados pelos tais burocratas da estrutura cara e pesada na capital da Bélgica.

Em tais momentos, o que conta é o agendamento calculado das chegadas e partidas dos políticos vindos de cada país, para as declarações, para as fotografias e até para alguns menos importantes serem filmados junto dos tidos por mais importantes.

É este cenário que explica o rotundo falhanço da forma leviana, burocrática e débil como, desde o início, a União Europeia tratou a pandemia em curso face ao que já ia pelo mundo.

O Parlamento Europeu tem de tomar posição ante tal incompetência.

Pode ser que seja hora para a grande reforma da Europa... ou o seu fim.

O que não justifica o erro do Governo da República Portuguesa em não se ter chegado à frente com medidas drásticas imediatas, como aliás fizeram alguns países. Pelo contrário, andou na conversa, adiando soluções prementes e dando prioridade às "orientações de Bruxelas".

A desculpa "princípios europeus", fez lembrar aquela anedota dos tempos da guerra em África, em que o Salazar era dos raros indivíduos vivos em Portugal, mas dizia: "– morreram todos, mas salvei a Pátria".

O Governo Regional da Madeira merece aplauso por ter avançado sem esperar mais por Lisboa. Para isso é que serve a Autonomia Política conquistada.

Um especial louvor, quer à firmeza assumida pelo Presidente do Governo, quer à entrevista do Vice-Presidente à RTP/Madeira, em que também o final do entrevistador Paulo Jardim (não é minha família) é um grande momento de jornalismo.

Inadmissível, é o aparecimento de alguns positivistas coloniais a classificar de "inconstitucionais" as decisões de defesa da vida humana, no presente momento assumidas em relação aos aeroportos da Região Autónoma. Estes são propriedade NOSSA. O Estado não os pagou. Apenas integrou indirectamente uma sociedade para os ir pagando com as receitas da respectiva exploração.

A competência da República é o espaço aéreo.

A estrutura física é propriedade da Região Autónoma da Madeira. O que está concessionado é a sua exploração comercial.

A firmeza do Governo Regional, na defesa da vida e da saúde pública, é constitucional. Baseada nos artigos da Constituição números 21.º (Direito de resistência), 24.º (Direito à vida), 25.º (Direito à integridade pessoal) e 64.º (Saúde), e ainda nas normas do Estatuto Político-Administrativo sobre a gestão do que é nossa propriedade.

Mas, eu não venho alertando sobre o colonialismo?...